Zika vírus e ameaça de microcefalia fazem mulheres adiarem sonho da maternidade

Meses após onda de casos de pessoas apresentando manchas vermelhas e coceira pelo corpo, o zika vírus volta a chamar a atenção das organizações de saúde do Brasil e do mundo devido à comprovação da relação entre ele e a microcefalia, doença que afeta o desenvolvimento cerebral de bebês durante a gestação. A descoberta levou o Ministério da Saúde (MS) a recomendar que mulheres não engravidem.
“Eu e meu marido ficamos assustados com a grande quantidade de bebês nascendo com microcefalia. Estávamos planejando ter o nosso primeiro filho no próximo ano, mas resolvemos aguardar até que seja desenvolvida uma alternativa ou vacina que previna a má formação do bebê, pois eu nunca tive zika, aí posso contrair o vírus”, disse a recepcionista Adriana Silva.

O infectologista Alfredo Passalacqua diz que, por ser um vírus até então considerado inofensivo, não foi desenvolvida nenhuma vacina contra ele. Porém, com a confirmação da relação entre o zika e casos de microcefalia, pesquisadores têm analisado a estrutura do vírus em busca de uma vacina.

“A infecção pelo zika vírus é uma doença nova, que ainda está sendo estudada, então tudo o que se refere a ela ainda está envolvido em muitas dúvidas. Ainda não se sabe, exatamente, como o vírus causa a microcefalia e nem se ele possui efeito de longo prazo sobre crianças menores de cinco anos, por exemplo”, afirma.

Alfredo Passalacqua explica que nem todas as grávidas infectadas pelo zika terão bebês com microcefalia e que o vírus causa maiores danos nos fetos durante o primeiro trimestre da gestação. No entanto, ainda não se sabe se ele pode também causar efeitos neurológicos caso afete a gestante no último trimestre de gravidez.

“Vai ser preciso acompanhar muito bem tanto as crianças com microcefalia quanto as que não nasceram com a má formação, para saber se ainda assim o vírus afetou seu desenvolvimento neurológico. É fato que no primeiro trimestre de gestação, quando se inicia o processo de desenvolvimento cerebral do feto, os efeitos são mais graves, mas não se sabe muito sobre como o zika afeta gestações a partir do segundo trimestre”, declara o infectologista.

Infectologista orienta mulheres a aguardarem prazo de segurança pós exposição ao zika vírus

Alfredo Passalacqua informa que, até o momento, só há uma variedade conhecida de zika vírus e após contraí-lo uma vez, a pessoa torna-se imune, pois desenvolve anticorpos específicos contra ele. No entanto, o infectologista explica que, assim como é feito em casos em que a mulher contrai doenças como rubéola, é preciso aguardar um prazo de segurança após infecção por zika vírus para poder engravidar.

“É indicado que a mulher que já tenha sido infectada pelo zika vírus aguarde um período de pelo menos um mês e meio ou dois meses após acabarem os sintomas para poder engravidar. A precaução é devido ao fato de o vírus apresentar dificuldade de ser detectado no organismo após o pico da doença”, informa.

O infectologista explica que aqueles que desejam saber se já contraíram o vírus zika podem recorrer aos testes IGM ou IgG, semelhante ao realizado para saber se gestantes já tiveram rubéola, que detecta a presença de anticorpos contra o vírus no organismo.

O especialista ressalta que pesquisas relacionadas ao zika vírus, motivadas pelo aumento de casos de microcefalia, devem levar ao desenvolvimento de formas mais rápidas de detecção do vírus e confirmação do histórico da doença no indivíduo.