WILSON BEZERRA DE MOURA – FIGURAS POPULARES EM MOSSORÓ

Mossoró, em décadas passadas, foi palco de muita alegria com figuras populares. Entre tantos outros, nos recordamos de Maria Pata Choca, mulher bastante cavaquista, que alegrava a todos e a muitos revoltava pelos seus palavrões indecorosos.

Pedro dos cabos de vassouras, um negão de bom calibre, tratava todos com respeito, porém, quando desafiado pelos arruaceiros, respondia com palavrões também indecentes, perdia a paciência e quem tivesse na frente que se cuidasse. Manoel Cachimbinho era outro coitado, chamava a atenção de todos pelas suas trapalhadas. Contam que certo dia ele resolveu tomar parelha com o trem de determinado ponto até a estação ferroviária central.

Raimundo de Brito vez por outra contava certas ações de figuras de Mossoró, que se tornavam populares e agraváveis a quase toda população pelos manejos de pessoas pobres coitados.

Já Lauro da Escóssia dizia que existiu na cidade, morando num dos bairros da cidade, hoje conhecido por Belo Horizonte, um senhor chamado de Zé Roque, um desprotegido da sorte foi procurar um médico para fazer uma consulta para sua mulher, que havia sido ferrada por inseto.

Na presença do médico ele teve vergonha de dizer o lugar onde tinha sido ferrada a mulher, gaguejou pra lá e pra cá,  terminou formalizando um questionamento:

– Doutor, o senhor sabe, naquela parte particular?

– Parte de cima ou mais embaixo? – pergunta o doutor.

– Embaixo, doutor – responde. O senhor já sabe o que quero dizer.

Como nada fica em segredo, por não fazer a consulta direito, logo mais se espalhou pela cidade o quadro da consulta e o povão tomou de conta e passou a aperreá-lo. Quando este estava numa veia boa, a situação era até tolerável, em outros momentos o diabo tomava de conta do disparato do Zé Roque e a quem o perturbava eram dirigidos os piores desaforos.

Os vultos populares eram pessoas que se tornavam conhecidas por sua forma de se conduzir numa sociedade por meio de gracejos ou desempenho de uma atividade agradável.

O saudoso Lauro da Escóssia também falava muito de m tal de Pé Ôco, popularmente aceito e agradável na sociedade, prestando-lhe variados serviços, desde atividades domésticas a outras afins, úteis à população.