Vacina contra Covid-19 começa a ser distribuída pelos EUA; imunização começa na segunda

Campanha de vacinação deve começar por trabalhadores da saúde e idosos que vivem em asilos

LOS ANGELES | REUTERS

Os primeiros carregamentos da vacina contra a Covid-19 começaram a ser distribuídos pelos Estados Unidos na manhã deste domingo (13), dando início a um esforço histórico para interromper o avanço da pandemia, que tem matado mais de 2.400 pessoas por dia no país.

Trabalhadores de uma fábrica da Pfizer no estado do Michigan começaram a empacotar, em gelo seco, por volta das 6h30 do horário local as primeiras levas da vacina, desenvolvida em parceria com a empresa alemã BioNTech. Caminhões com pilhas das vacinas empacotadas e refrigeradas deixaram a fábrica escoltados.

“Hoje não estamos transportando cargas, mas entregando esperança”, disse Andrew Boyle, executivo de uma transportadora contratada para levar a vacina da fábrica ao aeroporto da capital do estado. “É incrível”, disse o caminhoneiro Bonnie Brewer, 56, depois que uma carga foi entregue.

Os hospitais americanos estão preparando as primeiras doses para serem aplicadas já nesta segunda-feira (14), mas levará meses até que a maioria dos cidadãos do país possa ser vacinada.

Trabalhadores da área da saúde e idosos que vivem em asilos serão os primeiros da fila a receber as duas doses do imunizante, que devem ser tomadas em um intervalo de três semanas entre uma e outra.

Mais de 100 milhões de pessoas, cerca de 30% da população americana, pode ser imunizada até o fim de março, segundo um dos líderes da Operação Warp Speed, parceria público-privada liderada pelo governo americano para acelerar o desenvolvimento, a fabricação e a distribuição de vacinas.

Isso deixaria o país ainda muito distante da chamada imunidade de rebanho, que impediria a transmissão do vírus, de modo que máscaras e distanciamento social ainda serão necessários por meses para conter a doença.

Oficiais de saúde precisam também superar a desconfiança que muitos americanos têm com as vacinas, preocupados que a velocidade com que foi desenvolvida possa comprometer sua segurança. Somente 61% dos americanos disseram que aceitam serem imunizados, segundo uma pesquisa da Reuters/Ipsos.

Os esforços de entrega da vacina se tornam ainda mais complicados pela necessidade de transportar e armazenar o imunizante a uma temperatura de -70ºC, o que requer uma enorme quantidade de gelo seco ou geladeiras específicas.

A entrega acontece em um momento em que o número de mortes se aproxima dos 300 mil americanos e o país atinge recordes de novas hospitalizações. Projeções apontam que possa haver 500 mil mortos antes que as vacinas estejam disponíveis para a maioria da população, até meados de 2021.

O governo diz que planeja ter 40 milhões de doses —o suficiente para imunizar 20 milhões de pessoas— até o fim de dezembro. Isso incluiria não somente a vacina da Pfizer, como também a da Moderna, imunizante que deve começar a ser analisado pela agência sanitária americana na próxima quinta-feira (17).

Apesar de o governo federal coordenar os esforços de distribuição, os estados terão a palavra final sobre quem receberá as primeiras doses. O governo está enviando os primeiros carregamentos para mais de 600 lugares.

A vacina da Pfizer apresentou 95% de eficácia nos testes clínicos.

Folha de São Paulo