Uma visita importante para Mossoró

Geraldo Maia do Nascimento - [email protected]

No dia 10 de agosto de 1861 o Presidente da Província do Rio Grande do Norte, Conselheiro Pedro Leão Veloso, de regresso do alto Sertão potiguar, chegava a Vila de Mossoró. Em sua comitiva estavam o Ajudante de Ordens Manuel Ferreira Nobre e o seu Secretário Otacílio Alves da Silva, que em relatório descreveram os hábitos sociais e a hospitalidade dos mossoroenses. Ferreira Nobre, aproveitando as informações desse relatório, publicou em 1877 o livro “Breves Notícias Sobre a Província do Rio Grande do Norte – Baseada nas Leis, informações e fatos consignados na história antiga e moderna”, impresso na Tipografia do Espírito-Santense, de Vitória, Província do Espírito Santo, tratando pioneiramente da história, geografia e economia do Rio Grande do Norte. Este livro é, cronologicamente, a primeira história do Rio Grande do Norte, obrigatoriamente citado em todos os compêndios de história e geografia que saíram posteriormente.

Noventa e quatro anos depois da sua publicação, foi lançada uma segunda edição da obra pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, na gestão do historiador Enélio Lima Petrovich. Essa segunda edição, que foi publicada pela Editora Pongetti, do Rio de Janeiro, da qual tenho um exemplar em minha biblioteca, teve a apresentação do próprio Enélio Lima Petrovich, com prefácio e notas de Manoel Rodrigues de Melo.

Na obra em referência, o capítulo VII é dedicado a Vila de Mossoró. O autor começa falando da localização, dos seus limites e da sua criação. Com relação ao clima, diz: “Seu clima é sadio. Raras vezes se desenvolvem moléstias com caráter epidêmico”. Quanto aos costumes, diz: “ O povo se lança ao trabalho com uma atividade verdadeiramente pasmosa. Os rigores do tempo, a rudeza dos campos e a falta de braços não o fazem empecer. As mulheres distinguem-se por sentimentos sublimes, profundos e generosos. O luxo, esse cancro, companheiro fiel dos vícios, é completamente desconhecido da população de Mossoró. “

Lembramos que nessa época Mossoró era considerado “Empório Comercial”, os seja, a cidade que abastecia de todos os gêneros, toda a região do Oeste potiguar, além de parte da Paraíba e parte do Ceará.  As mercadorias aqui chegavam de navios, vindos de várias partes, e eram conduzidas em carros de boi para a cidade. Sobre a nossa barra, diz o autor: “A barra de Mossoró é uma das mais abrigadas e a mais calma do Norte do Brasil. Navios de porte podem descarregar e tomar seus carregamentos ali com muita economia e prontidão. As tempestades lá são desconhecidas. O canal é regular e formando um meio círculo, se acha livre de pedras: seu fundo é composto de lama e areia. Os comandantes de vapores e seus práticos e Capitães de navios, que frequentam a mesma barra, afirmam que é a melhor do Norte. A distância entre ela e a cidade é de sete léguas. O espaço para o ancoradouro é mui extenso e abrigado. A distância entre este espaço e o porto é de 10 quilômetros. O porto de Areia Branca é um dos mais próximos da Europa. Muitas embarcações estrangeiras e vapores o visitam anualmente. Até hoje não recebeu melhoramento artificial algum; entretanto, navios calando 12 pés d’água, entram e saem francamente. A distância entre este porto e a cidade é de sete léguas. A beira-mar está a pequena povoação de Areia Branca, que deu nome ao porto. Do porto de Areia Branca segue uma Gamboa navegável até o lugar Porto da Ilha, que demora uma légua da cidade. Pequenas embarcações vão constantemente ao Porto da Ilha descarregar e tomar carregamentos, com muita facilidade. É considerável o movimento diário entre a ilha e a cidade. Cem carros, puxados a bois, transportam mercadorias e gêneros de produção da terra: cada um desses carros conduz, de uma só vez, 16 a 18 sacos de lã. Além dos vasos de circulação de que falamos, existem sempre no Porto da Ilha três carruagens, conduzindo e reconduzindo passageiros, por preço cômodo. “

Assim se mostrava a nossa Mossoró no longínquo ano de 1861, quando da importante visita do Presidente da Província do Rio Grande do Norte, Conselheiro Pedro Leão Veloso, segundo a visão do seu Ajudante de Ordem, Manuel Ferreira Nobre e do Secretário Otacílio Alves da Silva.