Um pouco de Kyka

Crescer não é nada fácil. Se achar feia parece ser um hobby entre adolescentes até os dias de hoje. Kyka nunca foi gordinha, com espinhas no rosto ou o cabelo crespo, muito menos usava aqueles terríveis óculos ocultando seu rosto, nada disto, tinha uma beleza natural, sempre magra, cabelos lisos e compridos, pele clara e limpa. O espelho não reflete o interior da pessoa, conseguimos ver além do que queremos, o externo e isto influi no cotidiano, muitas vezes, para a vida inteira. No interior de Kyka, sempre existiu monstro e abismo, vulcão pronto para erupção e muitas sombras. A infância leva para a adolescência estas notas e nada fáceis de serem administradas e superadas. As marcas deixadas no corpo de arame farpado, das quedas nas brincadeiras no barranco, catapora, estas não marcam a vida. As marcas são fixas no interior. Aos olhos de Kyka, todos percebiam. O medo de brincar novamente na rua em dia de chuva forte, o escuro do quarto, estes medos trazem lembranças, pesadelos à tona. E o medo de crescer se tornou seu fiel inimigo. Conforme o tempo foi passando, ia conseguindo aos poucos se livrar dos pensamentos tolos, ia sendo sua própria psicóloga, este que sempre foi seu grande sonho. O piercing, as loucuras no cabelo desde um corte bem curto ao uso da cor roxa e verde, a personalidade ia mudando e aflorando. Kyka continuava sem comer direito e rabiscar versos sobre a morte. Sua cor preferida o preto, brincadeira predileta ficar só. Momento normal de sua vida era quando assistia tv. Os Smurfs, Caverna do dragão e He-man.  A música começou a invadir espaço, Os Menudos, conseguia se sentir bem e até praticava uns passos de dança daqui e outros ali. O pequeno Lp que sua irmã mais velha colocava para tocar.Daí a primeira paixão, Robby. O filme The Goonies marcou muito uma parte da sua vida, deliciar-se numa aventura como aquela do filme era uma obsessão, e novamente a paixonite de criança tomou conta, Sean Astin pode uma coisa desta? Nos dias de hoje a paixão não toma conta, apenas as lágrimas se revelam, um bom filme sempre conforta. Adora os seriados, principalmente The Vampire Diaries e um que marcou muitos foi Friends, ama demais, chora demais, sorri demais, é o momento em que vive intensamente. V-A Batalha Final, que seriado espetacular! Vive assim, rodeada pelos filmes, os seriados e novela, nada é perfeito, tem uma caída por estas benditas, não todas, algumas somente. E quando gosta, gosta mesmo, deixa de fazer outras coisas para não perder, embora já sabendo como as coisas irão acontecer, o final a gente sempre sabe. Os livros de romances foram os primeiros que entraram em sua vida, os de Mary Janice Davidson – Série Sabrina. Depois os gibis, e também gostava de revistas de Designers de interiores. E o universo maior e melhor são os livros, ler é um mundo incrível. Quando era jovem não podia comprar, não tinha dinheiro, pegava emprestado com amigas ou ficava na banca de jornal, sentava num banquinho e ficava um bom tempo lendo, a jornaleira era amiga, só pedia para não amassar ou sujar. Hoje em dia ela ganha sempre um exemplar de alguém, o esposo sempre compra e baixa da Internet, sei que não é tão correto, mas fazer o que? Parar de ler? Não mesmo. Ler pode ser até bula de remédio. Kyka chega a ler até dois livros diários, assiste pelo menos duas séries, novela e sempre um bom filme a noite, filmes na net por dia também. Quando não dá, grava e assiste dias depois, é um mundo tentador. E ainda consegue dividir o tempo com as obrigações domésticas, lavar, passar cozinhar, arrumar, estudar com o filho e uma atenção ao maridão, também não é nada mal. Termina o dia duas da manhã nos dias de semana. Ufa! Um pouco de Kyka pra vocês e muitas lembranças pra mim. Crescer não é fácil e ser Kyka também não…