Sergio Moro pede demissão do governo Bolsonaro por “interferência política” na PF

O ex-juiz Sergio Moro pediu demissão do cargo de ministro da Justiça nesta sexta-feira (24). Ele deixa o governo 16 meses após abandonar a carreira de magistrado para aceitar o convite do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

A saída foi reação à exoneração do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Valeixo, publicada no Diário Oficial da União também nesta sexta. Bolsonaro tomou a decisão sem o consentimento de Moro, embora o nome do ministro apareça no ato público por formalidade.

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Valeixo foi superintendente da Polícia Federal em Curitiba, onde atuou ao lado de Moro na Operação Lava Jato. Foi de Valeixo a responsabilidade, por exemplo, de comandar a operação para condução do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a prisão, em abril de 2018.

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O ex-diretor da PF e o ex-ministro da Justiça também atuaram juntos na investigação que ficou conhecida como “caso Banestado”, sobre um esquema de lavagem de dinheiro no banco público do Paraná, em 2003. Foi o primeiro caso de destaque do juiz que viria comandar a Lava Jato anos depois.

Ministro opaco

Moro pouco fez enquanto subordinado de Bolsonaro. Alçado ao cargo de “superministro” com status de “herói nacional”, o ex-juiz tentou consolidar a imagem de combatente da corrupção.

No entanto, acabou marcado por propostas que não prosperaram e por se calar diante de denúncias de corrupção envolvendo a família do presidente, como um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o filho Flávio Bolsonaro.

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Uma das grandes derrotas de Moro enquanto ministro foi a derrubada da prisão após segunda instância pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro do ano passado. A decisão permitiu a soltura de Lula, antes preso por ordem do ex-juiz.

O comandante da Lava Jato também perdeu no chamado “pacote anticrime”. O projeto foi aprovado pelo Congresso, mas sem as principais demandas de Moro, como a anistia a policiais que matassem em serviço e a própria prisão em segunda instância.

Sem o consentimento de Moro também foi aprovada a medida que institui o “juiz de garantias”, que prevê a divisão de processos entre dois juízes. Bolsonaro ignorou a vontade de seu então ministro e sancionou o projeto sem alterações.

perda do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) foi outro revés. Criado em 1998, o órgão que investiga operações financeiras suspeitas tinha sido colocado sob o comando de Moro por Bolsonaro. No entanto, o ex-magistrado acabou derrotado pelo Congresso, que tirou o órgão de seu comando e o devolveu ao Ministério da Economia, sob os cuidados de Paulo Guedes.

Vaza Jato

Sergio Moro se viu envolvido, enquanto ministro, na série de reportagens “Vaza Jato“, publicada pelo The Intercept Brasil e veículos parceiros, desde junho do ano passado, que mostravam que o ex-juiz atuou de forma parcial na Lava Jato.

Moro sempre negou as acusações. À época, Bolsonaro apoiou o ministro, mas ressaltou à Folha de S. Paulo que não existia “100% de confiança”.

 

Brasil de Fato