Sem proteção dos órgãos ambientais, indígenas da aldeia Catu pedem apoio para comprar drone e monitorar áreas invadidas por madeireiros no RN

Por Rafael Duarte

O aumento da retirada ilegal de madeira das terras indígenas localizadas na aldeia Catu tem levado pânico aos representantes dos povos originários da região, que compreende os municípios de Canguaretama e Goianinha.

Sem proteção dos órgãos ambientais nem diálogo com o Ministério Público, as lideranças do povo Potiguara Katu decidiram agir por conta própria e contam com o apoio da sociedade. Naquela região está localizada a Área de Proteção Ambiental Piquiri-Una, onde há presença de Mata Atlântica, Caatinga e conta com importantes rios que compõem as sub-bacias dos rios Curimataú, Catú e Jacú.

Numa espécie de pedido de socorro, os indígenas iniciaram uma campanha de financiamento para comprar um drone e, assim, fiscalizar as invasões de madeiros e fazendeiros na região. Os parentes decidiram treinar um indígena da própria aldeia para pilotar o equipamento que captará imagens aéreas que vão monitorar a área. Segundo o cacique Luiz Katu, o drone vai ajudar, inclusive, na prevenção de queimadas, outro problema grave no território. O pix para doação de qualquer valor é [email protected]:

– Estamos muito preocupados com o que está acontecendo na APA Piquiri-Una e nas matas de nascentes, próximo às principais nascentes do rio Catu. Existe hoje uma retirada de madeira sem precedente naquela área. Temos acionado os órgãos de proteção ao Meio Ambiente, mas não temos tido resposta. E resolvemos fazer esse enfrentamento, para produzir um material mais robusto, com provas, afim de pressionar o Ministério Público a pedir proteção aos órgãos do meio ambiente”.

Luiz Katu, cacique da aldeia Catu

Drone ajudará indígenas também na prevenção de queimadas

Luiz Katu conta que os indígenas se revezam hoje e quase toda semana precisam adentrar a mata para apagar focos de incêndio. O período de corte de cana de açúcar é a época mais difícil e que demanda mais atenção e mobilização por parte dos parentes da aldeia.

“Se não agirmos rápido perdemos nossas matas de nascentes”.

Luiz Katu, cacique da aldeia Catu

O líder indígena explica ainda que os fazendeiros da região têm usado como estratégia a criação de aceiros – faixas ao longo das cercas onde a vegetação é eliminada – para avançar e ampliar o plantio de cana:

– (Os fazendeiros) vão empurrando a mata com tratores de esteira por 30, 40 metros e ampliando seu plantio de cana de açúcar. Muitas vezes não conseguimos correr toda área e quando percebemos eles já tem feito a ação. E fica mais difícil agir após a destruição da mata. Por isso o drone vai ser muito importante para a nossa luta. Vamos monitorar o plantio ilegal da mata e as matas ciliares da aldeia Catu”, disse.

Como ajudar a aldeia Catu

Qualquer doação é importante para a aquisição do drone pela aldeia Catu. O pix é [email protected] O cacique Luiz Katu também disponibilizou o telefone 84 9122-6024 para mais informações.

Com informações do SaibaMais

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