Se a culpa é das eleições, de quem é a culpa?

Em março do ano passado defendi nas redes sociais e nos programas de rádio e tv dos quais participo, que as eleições municipais fossem adiadas para 2022. Essa era, na minha opinião, a única possibilidade sensata. Alguns logo criticaram a ideia e disseram que eu estava pensando em prolongar os mandatos dos então mandatários.

O Tribunal Superior Eleitoral determinou que as eleições fossem realizadas. O Congresso foi conivente. Pra mim, era hora de ter pulso firme, de mostrar que não havia condições sanitárias para a realização das eleições.

Um ano depois do início da pandemia e quatro meses após as eleições, o Brasil bateu o recorde de mortes por covid 19 na última terça (02/03/2021) em um único dia. 1726 mortes, segundo consórcio de veículos de imprensa que se uniu para divulgar os números após o Ministério da Saúde se recusar a fazê-lo. É como se o município de Viçosa-RN, no Alto Oeste potiguar fosse varrido do mapa em apenas um dia.

E sabe o que mais? Esse número tende a aumentar. O Imperial College de Londres, que tem feito estudos estatísticos a respeito da pandemia, projeta que o Brasil deve registrar 9.190 mortes pelo Sars-CoV-2 esta semana. Mais do que a população de Marcelino Vieira e Martins, no Rio Grande do Norte.

A realização das eleições não só contribuiu para o espalhamento do vírus, como fez com que as pessoas, e isso pra mim é o mais grave, perdessem o respeito pelas regras de isolamento impostas pelos governos.

Para piorar, temos um presidente da República que incentiva aglomerações, não usa máscara e é terminantemente contra qualquer medida de isolamento social, incendiando assim o debate.

Os candidatos, TODOS ELES, foram obrigados a saírem às ruas para pedir voto. Os ministros do TSE os obrigaram e o congresso  aceitou.

Agora como dizer ao dono do restaurante que ele não pode abrir para vender se os candidatos foram às ruas pedir votos e aglomerar? Como as pessoas que querem ir às igrejas  vão aceitar que não podem se reunir para orar se os ministros do TSE determinaram realização das eleições?

Se as eleições de novembro de 2021 foram o estopim para a segunda onda da pandemia no Brasil, será que os deputados, senadores e ministros do TSE têm algum tipo de peso na consciência por isso?

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