Saudades de Kátia Luz

O tempo foi muito curto para dizer que fizemos uma destas amizades destas que se eternizam, mas, por ironia do destino, vai se eternizar a lembrança da menina franzina que estava sempre cantando, desenhando, mas atenta a cada nova explicação dos professores.

Foi grande e provou que tudo que quisesse ser na vida, poderia ser. Em sua passagem breve aqui entre nós, conseguiu concluir uma graduação e já estava na metade de outra faculdade, era locutora de rádio, cantora, desenhista, humanista, tinha luz própria.

No nosso curso de Comunicação Social, diz-se sempre o sonho de alguns é chegar a tão sonhada Rede Globo. Deve realmente ser para alguns. Ela mostrou, que, se quisesse, chegaria lá. Ainda botou os pés e as mãos na fechadura da poderosa “vênus platinada”.

A última vez que a vi brilhando foi no lançamento do livro do poeta Genildo Costa. Ela fazia a cobertura fotográfica do evento juntamente com outros colegas do nosso curso.

Estava acompanhada dos seus pais e eu lhes disse o que pensava sobre a pequena: vocês tem uma menina de ouro! E tinham mesmo.

Mas, quem é que pode decifrar os enigmas desta vida – ou da morte? E então, em mais um dia de batalha vencida por aquele anjo de luz, uma destas fatalidades da vida, subitamente a leva para outro plano.

O nosso curso ficou mais triste sem a presença da “menina-luz” e nem todas as homenagens que possamos lhes fazer suprirão esta falta, e isto é muito ruim.

Aos seus pais, no dia em que fui me despedir dela pela última vez, nada consegui dizer. Um nó na garganta e as lágrimas incontidas impediram-me de repetir o que eu já havia lhes dito no lançamento de Genildo.

A eles, nada resta senão esta dor que sempre vai estar presente, mas, se isto os pode consolar – espero que ao menos amenizar – saibam que a sua menina veio ao mundo para brilhar e brilhou.

Foi grande em tudo que fez e deixou um rastro de luz por onde passou.