RN registra média mensal de 500 demissões na construção civil

O ano de 2015 não tem sido de boas notícias para os trabalhadores da construção civil. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o setor que, durante o “boom” imobiliário, abriu milhares de postos de trabalho, registrou, no período de janeiro a setembro deste ano, saldo negativo de 759 postos de trabalho em Mossoró. Em todo o Rio Grande do Norte, o mesmo período apresentou média de 500 demissões por mês na construção civil.

“As demissões no setor são resultado da desaceleração da economia, em Mossoró agravada por fatores como a redução da atividade da Petrobras, problemas enfrentados pelo setor salineiro, a seca e ainda a redução da quantidade de obras públicas. Em média, são homologadas 30 demissões na cidade por dia”, informa o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon/RN), Jorge do Rosário.

O presidente afirma que a construção civil deve continuar com quadro parecido no próximo ano, pois a projeção é de que a economia do país ainda deve demorar a se recuperar. Por causa da redução dos investimentos públicos e recessão econômica, ele explica que os empreendimentos particulares também são afetados.

“As prefeituras trabalham com um percentual muito abaixo do orçamento voltado para investimentos, dependendo da aprovação de projetos em Brasília. Entretanto, devido aos cortes do Governo Federal, os recursos para obras também não têm chegado às cidades, o que afeta toda a economia”, declara Jorge do Rosário.

Setor foi um dos que mais registraram demissões no Estado

Conforme dados do Caged, o setor da construção civil foi um dos que mais registraram demissões neste ano e foi um dos principais responsáveis pelos saldos negativos na geração de emprego registrado no Rio Grande do Norte.

No período de janeiro a setembro deste ano, foram 22.505 contratações na construção civil contra 26.925 demissões, o que resulta em um saldo negativo de 4.420 vagas de trabalho no setor este ano. Contudo, o volume de desempregados deve ser ainda maior devido às perdas também de empregos informais, não contabilizados pelo Caged.

Segundo informações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE/RN), o chamado “estoque de empregos” nos canteiros de obras no Estado caiu de 102 mil no primeiro trimestre deste ano para 84 mil postos ocupados no segundo trimestre.

No balanço de todas as demissões e admissões em Mossoró de janeiro a setembro, o município está com saldo negativo de 328 postos de trabalho. Além da construção civil, outros setores que registraram queda foram o comércio (-380 vagas), a extração mineral (-45 empregos) e a indústria de transformação (-72 postos).

Construção civil em números

– Média de 500 demissões mensais no Estado

– Média de 30 demissões mensais em Mossoró

– Saldo negativo de 759 postos de trabalho em Mossoró

– De janeiro a setembro foram 26.925 demissões no Estado