Ritual do óleo

Foi difícil… muito difícil… dificílimo… pensava-se impossível, mas, quando tudo parecia perdido, o prefeito da cidade revelou para os então incrédulos vereadores de sua base, a origem história da antecipação dos royalties e a praga que poderia recair sobre eles em ano eleitoral se repetissem o erro dos primitivos habitantes da Ribeira do Mossoró.

Arqueólogos governistas, segundo ele, descobriram inscrições rupestres nos porões do Palácio da Resistência. As gravuras seculares revelam que os índios tapuias paiacus foram dizimados porque se recusaram a aprovar, no ritual xamanístico da urgência urgente urgentíssima, o projeto tribal que autorizava o cacique Silveromirim a receber adiantado as compensações pagas pelos portugueses que arriavam petróleo por estas bandas.

Aí, proibido de comer na frente feito enxada de pedra com cabo de mulungu e em meio à crise econômica agravada pelo excesso de índios comissionados, pagos com dinheiro da pajelança para fazer futrica nos tambores sociais e nas redes de fumaça, não pode evitar a quebradeira.

A coisa ruiu a ponto de as Ocas Básicas de Saúde fecharem por falta de curandeiros e ervas medicinais, sem mencionar a greve dos guerreiros da guarda muruxaua, que ensarilharam tacapes e bordunas, e o despejo dos curumins por falta de pagamento do aluguel das creches.

Na eleição que se sucedeu, de nada serviu o “acordão” com os janduís, caripus, icós, caratiús e cariris, denominado Confederação dos Bárbaros. Os indígenas do chefe Silveromirim foram dizimados do mapa político pelo fenômeno La Rosa, resultante do aquecimento das águas do Rio Grande do Faria e dos ventos ravengarianos do Norte.

A revelação do burgomestre, vista como sinal profético de que a história ameaçava repetir-se, convenceu a edilidade a antecipar a dança ritualística do óleo para 11/11, data mística em que os portais do além emparelham-se, um por um, e impedem a ação das forças do atraso contra o progresso da brava, resistente, libertária, pioneira etc etc etc terra da estátua de Santa Luzia.

Retaliação
Em meio aos protestos dos caminhoneiros, o governo federal endurece as consequências para quem usar veículo para, deliberadamente, interromper, restringir ou perturbar a circulação na via. Agora, além de multa, apreensão de carro e carteira, o responsável será proibido de receber incentivo de crédito por dez anos para aquisição de automóvel.

Segurança
A secretária da Segurança Pública e da Defesa Social, Kalina Leite, pretende implantar em Mossoró, ainda este ano, o projeto das Áreas Integradas de Segurança Pública (AISPs), nos moldes de Natal e Parnamirim, com o objetivo de reduzir os índices de criminalidade na região.

Bendita!
A Justiça Federal de Brasília determinou que a Anvisa retire o THC, princípio que dá o tal barato na maconha, da lista de substâncias proibidas no Brasil. A sentença libera a importação e a prescrição médica da erva, que já não é tão maldita como antigamente. Em breve, nas melhores farmácias do Brasil.

Visitas
Os candidatos à presidência da OAB/Mossoró, Canindé Maia e Denis Tavares, visitaram a redação do O Mossoroense. As entrevistas com ambos serão publicadas na edição do domingo, véspera das eleições na entidade.

Leitura
Na prateleira, esperando por mim, “Atestado de Órbita”, de Carito Cavalcanti, e Crônicas quase Águas, de Armando Negreiros, mas só depois de desbravar Guanabara, de Chico de Neco Carteiro.

Desmatamento
A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) lançaram ontem o Atlas dos Municípios da Mata Atlântica. A cidade de Eliseu Martins, no Piauí, é campeã nacional de desmatamento, com supressão vegetal de 4.287 hectares entre 2013 e 2014, mas também são piauienses as cidades mais conservadas: Tamboril e Guaribas mantêm 96% da vegetação nativa. No Rio Grande do Norte, lideram o ranking da preservação, Maxaranguape, Senador Georgino Avelino e Baía Formosa. O mau exemplo fica por conta de São José do Mipibu.