Reunião com a PMM não avança e estudantes mantêm acampamento

No segundo dia de acampamento de estudantes e trabalhadores defronte à sede da Prefeitura Municipal de Mossoró (PMM) contra o aumento na tarifa de ônibus, uma comissão de representantes do grupo se reuniu com o secretário municipal de Mobilidade Urbana, Chalejandro Rustayne, ontem. A reunião tinha como objetivo chegar a um entendimento sobre o pleito da categoria.

Foram cerca de seis horas de conversa, sem nenhum avanço significativo. Os representantes da Prefeitura Municipal de Mossoró (PMM) condicionaram o início das discussões sobre a pauta de reivindicação dos estudantes à desocupação do Palácio da Resistência. Os estudantes, por sua vez, solicitavam o contrário: primeiro a negociação e depois a desocupação. O impasse durou horas até a reunião ser suspensa e agendado um novo encontro para hoje pela manhã.

Os estudantes permanecem acampados na Prefeitura e afirmam que somente sairão de lá após a revogação do decreto que reajusta a passagem do ônibus em 50%.

Além da suspensão no aumento na tarifa do transporte público municipal, que passou de R$ 2 para R$ 3 desde o começo desta semana, os estudantes reivindicam a circulação de 35 ônibus na cidade, implantação da bilhetagem a partir do dia 1º de dezembro e garantia do cumprimento das rotas do plano de mobilidade urbana de Mossoró.

Outras pautas de reivindicação são ainda o respeito aos horários das instituições de ensino pelas linhas de ônibus e a criação do Fórum de Mobilidade Urbana de Mossoró. Para o fórum, os estudantes e trabalhadores requerem paridade de representação entre o poder público e membros do movimento estudantil, sindicatos e movimentos sociais.

Desde o começo da ocupação da PMM pelos estudantes e trabalhadores, entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgaram nota de apoio às reivindicações para o transporte público. A Câmara Municipal de Mossoró (CMM) também aprovou moção de apoio aos estudantes.

O acampamento no Palácio da Resistência foi montado por estudantes da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) e por trabalhadores e integrantes de diversos movimentos sociais na terça-feira, 24. Participam da ocupação mais de 30 pessoas.

Um dos problemas enfrentados pelos manifestantes é o bloqueio do acesso aos banheiros e bebedouros da sede da PMM. O grupo tem usado banheiros de estabelecimentos comerciais e instituições nos arredores. Já a água e alimentos foram organizados pelos próprios estudantes e trabalhadores, que contaram com doações de movimentos sociais e sindicatos.

De acordo com a assessoria de comunicação da PMM, o acesso dos manifestantes aos banheiros foi bloqueado porque o Palácio da Resistência conta com apenas um banheiro feminino e um masculino, usado por servidores, o que não é o suficiente para atender à demanda do grupo.