REMINISCÊNCIAS: Seu Chiquinho da Gruta

Wilson Bezerra de Moura

Somos impulsionados pela história, principalmente por aquela que deixa suas marcas de recordação profundas, naturalmente quando relacionado por conhecido.

Uma pessoa que me chamou a atenção, quando das pesquisas nos arquivos de Raibrito, foi Chiquinho da Gruta, profissional de sapataria, consertador de sapatos, mas nessa profissão não se tornou tão conhecido quanto da atividade de Bar.

Estabelecido numa das ruas transversais da cidade, Rua Martins de Vasconcelos, por muitos anos ali tanto sobreviveu como prestou serviços a quem o procurava, e construiu uma imensidão de amigos que os conservou até os últimos dias de vida.

O espaço comercial da Gruta de seu Chiquinho era realmente pequeno, mas abrigava as pessoas que ali iam para tomar uma ou duas doses da sua cachaça para almoçar. Essa era a desculpa de muitos.

Outros, como me lembro no momento, assim como Dedé Chatin, José Stalin Reginaldo, Canindé Queiróz e mais outros, ficavam até mais tempo, e o prato preferido das discussões era futebol, que dividiam as ideias, mas não traziam tanto descontentamento quanto a política, quando passageiramente era trazida à tona.

Realmente a Gruta Azul não oferecia muito conforto, mais todos a procuravam em se tratando de uma figura querida, o Chiquinho, um pouco carrancudo, mas fiel, amigo, leal e compartilhador de amizade, de sorte que todos gostavam de seu Chiquinho. Morreu sem deixar inimizades, pelo menos era isso que sabia toda a cidade.

A Gruta Azul, por ter suas paredes pintadas de azul, recebia indistintamente qualquer um, desde que fosse de bom caráter. Decerto guardava uma característica em cuidadosamente  receber uma seleta classe de pessoas, até porque facilitava a condução de seu negócio, vez que era um ramo bastante delicado, lidar com bebidas.