REMINISCENCIAS – Papel social das parteiras

WILSON BEZERRA DE MOURA

O papel social que as parteiras de antigamente representavam na sociedade, só a própria razão desconhece.

Era assim uma verdadeira mística o papel que as antigas parteiras desempenhavam na sociedade, especialmente nas famílias carentes, os pobres, propriamente ditos. Aquelas que não podiam recorrer aos médicos ginecologistas tinham que buscar o serviço das parteiras, que saíam de casa em casa quando procuradas para assistir as gestantes. Elas tinham um papel social e por suas mãos muitas crianças nasciam, cresciam e se faziam na sociedade, terminavam bem conceituados na coletividade, desempenhando variadas profissões.

Levaram anos esse tipo de profissional parteira, até o sistema de saúde se modernizar, induzindo melhor assistência aos necessitados, em especial aos mais pobres.

A experiência desse tipo de parteira chega tanto a se desenvolver que estas se projetam a ponto de auxiliar os médicos muitas vezes em partos delicados, em situação do momento.

Por justas razões, muitas dessas enfermeiras desempenharam atividades que as tornaram destaque na profissão, tornaram-se, além do mais, bastante conhecidas na sociedade, muitas dessas, mãe Cecilia, mãe Sinhá, Naninha, Mariazinha, Noemi Borges, sua irmã Júlia Borges, todas, pela sua eficácia, difundiram-se por todas as cidades em que prestaram serviços.

Livros e revistas, usavam suas páginas para enaltecer seus trabalhos e identificar suas razões de meritória eficiência, enaltecendo seus afazeres e construindo nova visão sobre o que executavam em matéria de parto.

Mariazinha, falecida no ano de 1905, aos 88 anos, nascida em Areia Branca, sepultada com forte emoção em Mossoró, terra que lhe serviu de moradia. Mariazinha tornou-se querida não só das 10.761 crianças por ela assistidas, como dos mossoroenses e outras regiões, como Limoeiro do Norte, no Ceará, especialmente Mossoró, entre outras parteiras como Noemi Borges e Júlia Borges, irmãs que adotaram a mesma profissão.

O vereador Gutemberg Borges, filho de dona Noemi Borges, brilhantemente assegurava a grandeza de sua mãe quando na devida assistência materna dedicada especialmente às mulheres necessitadas.

Grande parte dos políticos de nosso estado, notícia veiculada pelo escritor e pesquisador Raimundo Soares de Brito, Wilma Maia, José Agripino, Rosalba Ciarlini, ex-governantes, do Estado passaram, entre outros, pelas mãos da antiguidade, portanto filhos adotivos de dona Noemi Borges, ou por outra, Julia Borges, sua irmã.

Efetivamente foi uma época que passou e a história registra que perdurou por longo tempo, até aparecer o SUS, que melhorou o atendimento a todas as criaturas reconhecidamente carentes.05