REMINISCÊNCIAS: MARIA BOA

WILSON BEZERRA DE MOURA

Um suntuoso prédio construído na década de 40 abrilhantou, por muitos anos, o calendário da boemia na cidade de Natal, logo após os destroços da II Guerra Mundial, e se tornou conhecido não só no Estado do Rio Grande do Norte, mas por todo o território nacional.

O prédio, ou palácio, como era chamado, arquitetura caprichosamente trabalhada, ganhou nome pela sua beleza e se tornou história pelas condições como foi aproveitado na sociedade, uma boate frequentada pela alta sociedade natalense, congregando classe política, judiciária, industrial, comercial e intelectual de toda Natal. Sua titular, conhecida por Maria Boa, era uma mulher de vida livre, respeitada, considerada por todos.

A casa redonda, ou mais precisamente o point da boemia que abrangia novos e velhos, tornou-se referencial no mundo inteiro, justamente por ser uma boate com frequência geral, motivada, naturalmente, pelo conceito desfrutado por sua proprietária, Maria Oliveira Barros, popularmente Maria Boa.

O prédio suntuoso do point da boêmia natalense foi construído financiado pela Caixa Econômica Federal, no valor de 229.045,40, moeda da época, paga em suaves prestações, na conformidade do contrato estabelecido na época.

O fato é que por décadas Maria Boa enfrentou os desafios do momento, tratou de abrir a boate e especialmente selecionar os clientes, porque, segundo pensamento, com essa seleção facilitaria adquirir recursos suficientes para cumprir as obrigações, e assim se deu, porque sua boate conseguiu pleno desenvolvimento econômico ao ponto de torná-la não só selecionada como conceituada, o que decerto tornou-se uma evidente estrutura econômica.

Maria Boa existiu e, apesar de sua profissão, foi bem conceituada em toda Natal. Apesar de ser uma mulher de vida livre, foi merecedora de consideração e respeito na coletividade, o que a tornou eficiente comerciante no ramo, sendo uma das razões de quando do falecimento merecer a assistência da comunidade, que lhes rendeu assistência do povo potiguar quando de seu velório, aos 77 anos, até o cemitério em Nova Descoberta, onde foi sepultada, terminando aí uma historia que terminou nas páginas dos anos.

Finalmente morre Maria Boa aos 77 anos de idade, várias complicações, inclusive cardíacas e, em meio a grande despedida, durante toda noite do dia 17 de março de 1995, quando ao nascer do sol desse inesquecível dia, fecharam-se as portas da sua boate, em 17 de março de 1995, só ficando, daí por diante, a sua história, que permanecerá nas páginas do tempo.

Maria Oliveira Barros fez parte de uma história que transpôs o tempo e continuarão seus assentamentos por séculos e séculos, porque os fatos são indeléveis.

Sua lembrança permanecerá entre as notáveis pessoas da cidade de Natal, igualmente com outras tantas figuras do mundo social e político da região.

Fonte: Raibrito.