REMINISCÊNCIAS: JORNALISTA HAROLDO GURGEL

Wilson Bezerra de Moura

O que fica gravado na história fica por todo tempo, a menos que se extravie a fonte escrita, a outra informante, pessoal, até quando permanecer viva a pessoa, esta ali permanecerá.

Embora não tenha nascido em Mossoró, o jornalista Francisco Haroldo Gurgel de Oliveira tinha ligação com Mossoró por meio de seus ascendentes.

Filho de Raimundo Firmino de Oliveira e Maria de Lourdes Gurgel de Oliveira, estes genitores do odontológo Helênio Gurgel de Oliveira e do médico clínico geral José Mário Gurgel de Oliveira, atuante na coletividade mossoroense, que marcaram época na cidade.

Entre os filhos de Raimundo Firmino, Haroldo Gurgel enveredou pelo jornalismo, e daqueles atuantes, combativos, numa época em que não havia segurança no exercício da profissão.

Haroldo, bastante combativo, atuou no Rio de Janeiro, no jornal “Diário Trabalhista”, como repórter policial, e se transferiu para Goiânia, capital de Goiás, onde ali também foi repórter, no período gestivo do então governador Pedro Ludovico, governador considerado atroz.

Jornalista na nova cidade de Goiás, atuou como repórter, quando foi assassinado por um cangaceiro contratado pelo então governador Pedro Ludovico, simplesmente por uma frase que ele usou num de seus artigos: ”O homem voltou e deu a luz,” quando de um incidente ocorrido no próprio governo.

A incoerência administrativa de Goiânia, por seu governo, encerrou a profissão de um jornalista e Mossoró, ante toda repulsa de um ato frio e sanguinário, perdeu não só um filho em pleno exercício profissional.

À época o governador Pedro Ludovico era combatido por fortes opositores, sendo finalmente Haroldo Gurgel atingido pelo descaso com o assassinato tragicamente a mando do próprio governo, por capangas, em 8 de agosto de 1953, pondo fim a uma história de ventura traçada por um idealista.

Quando do episódio de Haroldo, lá em terras de Goiânia, os estudantes mossoroenses recorreram, através da folha “FAGULHAS”, e fizeram forte pressão ao governo goiano, para preservar os valores norte-rio-grandenses.