REMINISCÊNCIAS – FRISO BENÉVOLO: MARCO DA ANTIGA MOSSORÓ

Wilson Bezerra de Moura

Não me canso de venerar a história, por ser esta a tradição de uma velha geração.

Qualquer que seja a natureza dos fatos assegura conhecimento de uma gente, afiança valorização da humanidade à altura de sua participação escrita ou literalmente ressalta o feito causado em uma existência.

O pesquisador e historiador Raibrito, em seu acervo documental, não poderia deixar de inserir dados sobre Friso Benévolo, cujo nome verdadeiro era Francisco Benévolo Filho, como me faz lembrar quem cheguei a conhecer no ramo de negócio de bar, no local onde atualmente é o sétimo cartório, vizinho ao prédio de esquina com a praça dos Correios, na descida da Ponte Castelo Branco, à Rua Santos Dumont.

Raibrito fala com toda maestria que Friso, como era conhecido de toda Mossoró, era homem possuidor de grande amizade nos meios comerciais, a princípio como gerente de alguns bares da cidade, depois como proprietário do Café Globo, terminando com um bar ao qual fluía uma elite de mossoroenses.

Ele mesmo gostava de selecionar os clientes. Normalmente não atendia beriteiro, justamente para preservar os clientes. Talvez dessa forma tenha constituído inimizades que tenham levado ao seu assassinato no próprio estabelecimento, em 27 de julho de 1966.

O escritor Raimundo Soares de Brito, o Raibrito, relata uma parcela de tempo quando nos idos da década de 40 era proprietário do bar dois amigos, onde por algum período Friso atuava no mesmo ramo pouco antes do próprio Raibrito.

Em seguida, no trajeto de suas atividades como proprietário de bar, Friso adquiriu por compra ao senhor Joao Lucas, o Café e Bar O Globo, onde perdurou longos anos até sua morte.

Homem de bom caráter era o Friso. Respeitoso, caladão, pouco falava, respondia apenas a  quem o contatava na busca de qualquer informação na mais expressiva serenidade, por isso conquistava a mais absoluta simpatia de uns, embora outros o odiavam por tal comportamento.

Uma particularidade de seu comportamento estava escrito logo na entrada do bar: “A PARTIR DE

HOJE SÓ VENDEREI FIADO A QUEM EU FOR DEVEDOR”.