REMINISCENCIAS – FORÇA DE UM IDEAL SOCIALISTA

POR WILSON BEZERRA DE MOURA

É a história testemunha autêntica dos principais acontecimentos da humanidade. Tudo que esta fez, deixou de fazer, porque fez ou não fez, enfim, narra e comprova tudo.

Através desta e no caso presente encontramos nos arquivos de Raibrito, a figura do cidadão Salomão Sarmento de Morais, também chamado de José Martins dos Santos.

O fato é que este cidadão viveu na clandestinidade por mais de 50 anos, quando o comunismo era uma fase tida como crime à pátria, ao tempo em que era proibido professar esse ideal, enquanto este a professava desde criança, era tido para ele como um legítimo imaginário sentimento, acolhido como um verdadeiro e legítimo sentimento, um objetivo a atingir.

A maior glória de Salomão era ter um amigo, e este foi o líder comunistas Luiz Carlos Prestes, que o tomou como padrinho de um de seus filhos.

No seu entendimento., tudo na vida se tornaria importante se o Brasil chegasse a ser um país socialista. Era um sonho que mantinha desde criança.

Nascido em Lajes no ano de 1910, seu pai era alagoano, veio para o Rio Grande do Norte, para fornecer alimento aos trabalhadores da Ponte de Igapó. Embora tenha perdido a concorrência para um comerciante de nome Manuel Machado, permaneceu no estado com outras atividades profissionais.

Salomão, em sua infância, teve uma vida voltada ao trabalho agrícola. Estudou em Natal em vários colégios, sempre mantendo o ideal a atingir com a efetiva conquista de uma classe socialista.

Em Natal conheceu o professor Miguel Laureano, que tinha um jornal mantido em quadro-negro pregando as idéias socialistas. Passou ele a escrever artigos, sob a linhagem do jornalista Café Filho, liderança política operária naquela época.

Quando estudante em Natal, Salomão passou a alimentar seus ideais em pertencer à facção política socialista, até que um dia, por intermédio do senhor Nazareno Gurgel, pai de Romildo Gurgel, presidente do PCB no Rio Grande do Norte, adquiriu a senha para filiação na facção política socialista, concluindo, em parte, seu sonho.

Custou-lhe a deportação para Fernando de Noronha, Ilha de Itamaracá, Paulo Afonso, além de outros lugares, como meio de correção aos seus objetivos, mas não adiantou nada.

Em Araguaia foi ainda melhor sua estada, porquanto se encontrou mais facilmente com o líder comunista Luiz Carlos. Reforçou não só seu ideal, como estimulou seus objetivos nas lutas em defesa social. Amava incondicionalmente o país, mas mantinha firmes seus ideais socialistas. Ao ser preso pela última vez em 64, confirmou sua fidelidade ao PCB e o propósito de não delatar nenhum de seus companheiros de luta.

Lutava pelo ideal e não perdia o perfil de um autêntico trabalhador com atividade quando da  construção da Ponte na Amazônia.