REMINISCENCIAS – CLUBE IPIRANGA II

Wilson Bezerra de Moura - professor, escritor e historiador

É palpitante outra vez falar sobre o histórico patrimônio da cidade de Mossoró chamado de Clube Ipiranga, que chegou a ser reconhecido como destacado clube social, artístico e literário de Mossoró, hoje transformado em entulho, por falta de compromisso do poder constituído.

Porque a ASSOCIAÇÃO CULTURAL IPIRANGA, atualmente ASSSOCIAÇÃO CULTURAL UNIVERSILTÁRIA – ACEU, inaugurada em 12.09.1920, com dinheiro do povo e venda de Títulos Patrimoniais, num período de decadência da administração do prefeito Monsenhor Mota, o mesmo tomou as rédeas do Clube tentando salvá-lo do caos.

Diante das divergências, o Clube continuou a promover festas sociais durante muitos anos, chegando ao sucesso até a década de sessenta, competindo com o outro clube chamado ACDP, Associação Cultural e Desportiva Potiguar, fundado por uma equipe de comerciantes, banqueiros, um deles proprietário da Casa Bancária S/Gurgel, de destacável poder político e econômico.

Na ACDP promoveram-se festas sociais geradas pelas Luíza de Marilac, um tipo de sociedade feminina de projeção social que sempre fazia festejos na ACDP, contribuindo para que esse clube se mantivesse em atividade por mais algum tempo, o que se deu até a década de sessenta, quando a Universidade Regional do Rio grande pediu preferência para manter o ACEU, até que enfim os ânimos da concorrência dos clubes se desfizeram.

O Clube ACEU, com uma área total de 2.478 metros quadrados e com 600 metros cobertos de espaço construídos, infelizmente com inúmeros problemas desde o não pagamento dos sócios, que estes teriam uma contribuição mensal, estavam, na sua maioria, sem pagá-la, o que decerto dificultaria o compromisso com o Clube com suas obrigações sociais.

Até a década de 80 os clubes da cidade, ACEU e ACDP, lutavam pela sobrevivência com competição social, se enfrentando com festas carnavalescas, principalmente, ou qualquer uma outra de interesse familiar ou social para conquistar a preferência pública, e nisso crescia a preferência popular.

Mesmo com as competições os recursos adquiridos eram insuficientes para mantê-lo, e cada um, dentro de suas necessidades, foi perecendo até deixar de funcionar, chegando ao final de suas carreiras abandonados pelos sócios e pelo poder público, que não financiava em nada suas manutenções, terminando cada um sendo um monturo a mais na sociedade patrimonial.

Mossoró ficou sem clube social, mas não merecia vê-los abandonados de tal sorte até chegar ao ponto de suas sedes serem transformadas em terrenos baldios ou até mesmo ponto de colocar lixo, o que levaria a se tornar uma tragédia social e uma desvalorização do patrimônio público.