REMINISCÊNCIAS: ANTONIO CAPISTRANO E ANA MONTENEGRO

Wilson Bezerra de Moura

Duas peças importantes para o momento histórico. Antônio de Farias Capistrano, que o conheço bastante, fomos, inclusive, colegas de UERN, ao tempo em que éramos diretor da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais (FAFIC), ele foi meu vice-diretor. Ainda temos boa convivência de amizade e respeito.

Eu e Capistrano somos grandes amigos. Fiel aos ideais políticos, defensor dos ideais em defesa dos direitos humanos, o verdadeiro sentimento de respeito aos seres compassivos carentes de igualdade e justiça por esse mundo afora de tantas e quantas injustiças e discriminação política, social e econômica.

Nos arquivos do imortal Raibrito encontramos um artigo escrito por Capistrano em que ele se referia à jornalista Ana Montenegro, quando esta estava cumprindo exílio por ocasião do regime militar de 1964 a 1979, descrevia em trabalho seu um verdadeiro absurdo quanto ao conceito africano tido pelos brasileiros.

Ana Montenegro, filiada ao Partido Comunista Brasileiro, cumpria pena de exílio, mas lhe serviu essa fase para questionar aspectos até então desconhecidos do continente africano.

Com toda lealdade rompeu o silêncio sobre a vida e a civilização africana, além de demonstrar a descabida omissão feita quanto à participação do negro na construção do país.

Revela a exilada Ana Montenegro que jamais foi ensinado o lado eficiente da raça africana, principalmente quanto ao Reino do Congo, por ocasião da invasão estrangeira, bem assim a expulsão de brasileiros em Angola com o fim de intensificar o tráfico de escravos.

Sempre o ensino sobre a raça negra foi levado a sério para mostrar o lado negativo sobre tal raça, apenas útil para a arte da escravidão, que a tornou matéria prima essencial.

Ao ler por mais de uma vez as referências do companheiro Capistrano sobre Ana Montenegro, pensei mais de uma vez se deveria ou não reacender os dados sintomáticos negativos sobre a raça brasileira fundamentar razões escusas para escravizar impiedosamente uma raça negra para atender pretensos interesses financeiros.

A história verdadeira nem sempre é contada sobre a real razão política sobre um país que nunca revelou os motivos dos fatos ou sobre quais os propósitos.

Sempre se manteve ofuscados detalhes de sua história, tanto assim que Rui Barbosa, grande jurista, se deu ao luxo de autorizar a incineração de documentos históricos do período escravista, naturalmente para continuar o grande mistério dessa página negra da história nacional.

Dedico o irrestrito reconhecimento pela disposição da jornalista Ana Montenegro em fazer tais revelações, e ao companheiro Capistrano em trazer revelações sobre a exilada de 64, Ana Montenegro, pela disposição de caráter com que trouxe um assunto palpitante da histórica passagem de terror escravista brasileira.