REMINISCÊNCIAS

CAFÉ E BAR MOSSORÓ - UM PASSADO HISTÓRICO

Wilson Bezerra de Moura

Na medida em que o tempo vai passando, com ele vão-se muitos feitos, assinalando uma perpétua lembrança de tudo quanto foi construído para caracterizar um passado.

Feliz na vida quem passa por esta e deixa suas marcas, boas ou ruins. Boas que servem de modelo para os sensatos seguirem os feitos. Ruins como exemplo para que ninguém a siga para não proliferar as maldades por esse mundo afora, que tanto vem sofrendo a admoestação da vida.

Francisco Severino Xavier, que na intimidade era chamado de Francisquinho Nunes, natural do município de Upanema, resolveu se instalar como comerciante no ramo de Café e Bar na praça de Mossoró, pelos  idos de 1940.

À época, como acontece em qualquer período da história, existiam outros cafés, mas o de Fancisquinho se notabilizou pela aceitação popular e se tornou o seu estabelecimento um ponto de atração de políticos da região.

Os políticos de outras regiões se juntavam aos de Mossoró e ali o Café de Francisquinho servia  de ponto de discussão sobre variados assuntos, enquanto os curiosos circundavam para ouvir as conversas e saírem fofocando, mas que isso rendia votos em cada eleição.

Ao tempo de Aluízio Alves, Vingt,  Dix-huit Rosado, Dinarte Mariz, Djalma Marinho, Duarte Filho, Antônio Rodrigues de Carvalho e outros que não me lembro o nome no momento, que formavam as raposas velhas, quando a política no estado era muito acirrada e mais acirradamente em Mossoró, entre as facções  Rosado e aluisista, a coisa era muito grave.

Francisquinho era um apaixonado por Aluízio Alves. Se, por exemplo, um cliente chegasse a seu café e fizesse um sinal com dois dedos formando um V, estava formada a guerra, ele atendia, mas antes levantava os dois dedos polegares, fazendo o sinal do aluizista.

Atendia ao freguês, mas se ele falasse talvez levantasse algum constrangimento e saísse até sem ser atendido. Era uma paixão de vida ou morte, como assim se comportavam os mossoroenses quando daquela pandemia política.

Apesar desse comportamento, Francisquinho transpôs o tempo com seu Café até terminar seu período e transferiu para os filhos, que o conduziram até breves dias de nosso tempo, mantendo grande ciclo de amigos e conhecimento por toda Mossoró, até sua morte.