domingo, 1 de fevereiro de 2026
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‘Realismo, consistência, criatividade’: a frase repetida por 274 candidatos a prefeito em seus planos de governo

A frase abaixo aparece de forma idêntica nas propostas de governo de 274 dos 15 mil candidatos a prefeito das eleições de 2024:

 

“Durante todo o mandato a realização dos objetivos almejados estará atrelada a valores como trabalho, transparência, responsabilidade, realismo, consistência, criatividade e, acima de tudo,planejamento”.

O que são as propostas de governo?

As normas brasileiras exigem que, para registrar a candidatura, os candidatos a prefeito, governador e presidente apresentem as propostas que defendem. Não há, entretanto, regras sobre como isso deve ser feito, e a Justiça Eleitoral não fiscaliza o conteúdo.

 

Por isso, não há nenhuma irregularidade eleitoral em usar uma frase que é repetida em centenas de outros planos.

 

Também não há irregularidade, por exemplo, se o plano de governo não menciona o nome do candidato, informa o partido errado ou se cita que para um período de governo que, praticamente, já acabou (2021-2024 e não 2025-2028).

Segundo o advogado eleitoral Alberto Rollo, a ideia é que a proposta de governo contenha aquilo que o candidato vai usar na campanha e deverá executar se eleito. “Mas acaba sendo alguma coisa mais genérica.”

 

Para Emmanuel Publio Dias, professor decano da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) especializado em marketing político, em regra, os candidatos dão pouca importância às propostas de governo, e apenas as apresentam para cumprir a obrigatoriedade da lei.

 

“A pouca importância na elaboração do plano reflete a pouca importância que lhe dá o eleitor. Não deveria ser assim, ao contrário, deveria ser o principal argumento para o voto.”

De onde vem a frase “realismo, consistência, criatividade”?

De origem desconhecida, a frase frequenta propostas de governo de candidatos a prefeito desde, pelo menos, 2016, quando surgiu, por exemplo, no documento apresentado por Ney Santos (então PRB, hoje Republicanos), candidato a prefeito de Embu das Artes (SP). É anterior, portanto, à popularização das ferramentas de inteligência artificial generativa, que começou em 2020.

 

O g1 procurou 7 candidatos que usaram a frase, mas nenhum respondeu aos contatos.

 

“O que me parece mais provável é que se trate de um template ou modelo desses oferecidos por consultorias em grande escala que auxiliam na redação desses documentos”, sugere Wilson Gomes, professor em comunicação política da Universidade Federal da Bahia (UFBA). “[A repetição em escala indica] que as candidaturas em geral têm pouca singularidade, poucas notas que dão um tempero específico ao candidato”.

O trecho é usado por representantes de 22 partidos (há 29 disputando as eleições em 2024) de 266 cidades do país – em 8 dessas, por mais de um candidato –, em 25 dos 26 estados (o DF, por ser o Distrito Federal, não têm eleição municipal).

 

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A existência da frase repetida não significa que todo o conteúdo dos documentos seja idêntico. A prática não configura crime eleitoral.

 

Procurados, os partidos que responderam atribuem a responsabilidade pelas propostas de governo aos candidatos.

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