Railson Carlos

O radialista Railson Carlos de Souza, nascido em Mossoró, no dia 7 de junho de 1984, é hoje um dos locutores mais ouvidos de Mossoró e região. Atualmente comandando três programas musicais, dois na FM Resistência e um na TV Mossoró, Railson se diz uma pessoa que gosta de inovar, de falar com o público e de conhecer pessoas e lugares. Nesta entrevista falamos de rádio, de música e de seus fãs.

Por: Caio César Muniz
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O Mossoroense: Como começou o seu trabalho no rádio?
Railson Carlos: Sempre fui curioso. Quando criança inventava carros falantes, tipo trio elétrico, desmanchava rádios de pilha para achar o locutor; e já adolescente idealizei, montei e coloquei no ar a rádio interna da escola, numa feira de ciências. Sucesso total. Até hoje os meus colegas de classe lembram desse movimento e sempre dizem: “esse homi já gostava de rádio desde a escola. Aí hoje! Só no vozeirão!”
Quando tinha 15 anos fui em busca de realizar meu sonho. Iniciei produção e locução na 98 FM, uma das rádios comunitárias que tinha em Mossoró. Foi lá que dei os primeiros passos para a carreira profissional. De lá para cá, muitas experiências em outras rádios. Hoje com alegria e realização estou na 93 FM, rádio que sempre estimei e queria estar. Não foi fácil, mas Deus ajudou.

OM: Hoje você está assumindo três programas, dois radiofônicos e um na TV, como é esta experiência?
RC: Sinto-me realizado. Tanto o Forrozão de Mossoró, veiculado todo dia na 93 FM, quanto o Forrozão na TV, exibido às terças-feiras na TV Mossoró, são experiências únicas. Cada dia no rádio é especial. Produzir matérias e levar o nome da rádio e da TV para várias cidades do Estado é prazeroso, apesar de puxado. Não tem glamour não, como a maioria das pessoas acha. Muito trabalho e dedicação para oferecer o melhor a quem nos acompanha.
O forró é hoje meu carro-chefe, sem dúvida, mas confesso que o brega e a música romântica me envolvem. O Parada de Sucessos, veiculado todo sábado na 93 FM, às 13h, é sucesso de público e sintonia. O povo gosta mesmo desse estilo musical. Eu também sou fã dessas músicas, meu pai sempre ouvia, desde que eu era criança eu ouvia, eternizou na memória. Eu acho tudo bom.

OM: Seus programas de rádio abordam dois gêneros musicais bem populares? Como você avalia ambos?
RC: O forró é o ritmo dançante, alegre, que passou por modificações profundas, mas continua sendo um dos estilos mais queridos de todos nós nordestinos e forrozeiros. Tento tocar de tudo, ao gosto do ouvinte, o que é sucesso. O forró antigo, que incluí no Forrozão de Mossoró através do quadro “O Forró começa aqui”, é um dos meus favoritos. O forró é nosso, mesmo com modificações, modernização, ou o que queiram chamar. É top, é o número um na nossa região.
Já o Parada de Sucessos é o tipo de programa que a galera espera a semana inteira para ouvir. Já ouvi vários relatos e isso me dá mais energia para ficar na rádio das 13h às 16h do sábado. A seleção musical é totalmente diferenciada da semana e de todos os outros programas da emissora. O povo participa mais, já apelidaram o programa de “Bregão” e é aquela roedeira, como a gente fala aqui. Pense, como o povo gosta do bregão!

OM: Existem muitas críticas ao forró que se tem produzido atualmente. Qual a sua análise disto? Quem você citaria como diferencial?
RC: O forró foi um ritmo que se modificou ao longo dos anos. Passou por transformações que muitos não aceitam. Outros, a fim de rotular algumas músicas, colocaram o nome de forró, mas não é. A mistura com outros ritmos também confunde o que é forró. As pessoas hoje são mais habituadas a ouvir a melodia, prestam menos atenção nas letras e isso influencia o que os compositores, cantores e bandas produzem. Na realidade, hoje o forró está muito disperso. Se analisarmos bem, até as bandas que nasceram do gênero forró, atualmente procuram se adaptar ao modismo. Se a moda for sertanejo universitário, as bandas passam a tocar mais sertanejo universitário. E assim aconteceu com outros gêneros. Praticamente não podemos dizer que existe uma banda de forró. As bandas são como as de antigamente, banda-baile. Tocam todos os ritmos. Isso gera dificuldade até pra gente que faz programa de forró, porque as pessoas ligam pra rádio e não tem noção do que é o forró e questionam: “Mas, Aviões toca isso! Wesley canta aquilo”. Às vezes fica difícil você distinguir o que seria o forró, o sertanejo, o pop ou outro gênero.
E o nome que eu destaco como diferente e que realiza um excelente trabalho há anos no forró, e também na música católica, é o cantor e compositor Batista Lima, ex-Limão com Mel. Ele é o tipo de profissional que ama muito o que faz, atende todo mundo muito bem, é realizado com o que faz e é um ótimo músico. Eu o admiro demais.

OM: Quais são as suas influências musicais? O que você ouve quando está longe do seu ambiente de trabalho?
RC: Sempre gostei de forró. O antigo, o eletrônico e muita coisa atual. O chamado brega também é forte lembrança na minha memória musical. Quando estou em “off” ouço artistas do RN, artistas já falecidos, e algumas músicas novas para seleção musical na rádio. Às vezes dizem que tenho tino de produtor musical. Ouço a música e digo: é essa! E dá certo! Mas gosto de outros gêneros também. A alegria e energia das músicas de Ivete Sangalo, por exemplo. Gosto muito de música.

OM: Seus programas detêm uma grande audiência hoje não só em Mossoró, mas em várias regiões. Como é esta relação com seus fãs?
RC: A relação é ótima, sadia, divertida, com algumas obviedades, mas com muitas surpresas sempre. Os ouvintes nos surpreendem todo dia. Digo que não tenho ouvintes, tenho amigos. Nesses 12 anos de profissão aprendi, vivenciei, me emocionei e ainda me surpreendo com o carinho e atenção dessas pessoas que acompanham meu trabalho no rádio e na TV. É reconhecimento puro e isso é o mais satisfatório para quem trabalha com público, com pessoas de várias idades, cores, gêneros, gostos. Saber que o meu trabalho agrada, que eles fazem questão de elogiar, parabenizar e confirmar isso nas pesquisas. Eu só tenho a agradecer a Deus e a cada um que tem esse carinho para comigo.

OM: O seu programa “Parada de Sucessos”, aos sábados, toca um tipo de música que alguns chamam de “brega”. O cantor e compositor mossoroense Bartô Galeno, por exemplo, discorda deste termo. E você, como avalia este gênero musical?
RC: O brega, ou estilo romântico, é outro gênero bem popular, que todo mundo, de alguma forma, tem a sua preferida. É o gênero musical que sempre se renova, embora fale quase sempre sobre o mesmo assunto: o amor. O amor é tema infinito, graças a Deus. Os artistas hoje têm de misturar isso a ritmos, encaixar nas novas formas de expressar amor e dor. E agora com essa história de “sofrência”, então! Mas é um estilo que nunca acabará. Somos humanos e sempre amaremos ou sofreremos. Viva Bartô e todos os bregas ou românticos do mundo!

OM: Algumas áreas da comunicação têm passado por dificuldades devido ao avanço de algumas tecnologias, você acha que o rádio irá passar também por este processo?
RC: O rádio sempre foi alvo de máximas que diziam: “quando a televisão chegar o rádio vai acabar.” “Com a internet na vida das pessoas, o rádio acaba.” E, no entanto, continua firme e forte, sendo companhia em todo lugar, agrupando as novas tecnologias ao bom e velho som da voz humana. As dificuldades sempre vão existir, mas há como superar, arrumar, dar um jeito de resolver. Acredito que o rádio irá sempre se modificar, se aperfeiçoar, mas não acabar. A matéria-prima do rádio é a voz humana, ela informa, conforta, alegra, noticia, anuncia, faz a diferença. Acredito que o rádio veio e permanecerá sempre.