Questão de convivência

Seca. 2016 será ano de seca, dizem os climatologistas. O quinto consecutivo, repetindo a estiagem de 1979 a 1984, quando multidões de famintos invadiam os centros urbanos em busca do básico do básico: comida. As frentes de emergência do governo federal, com obras quase sempre sem pé nem cabeça, pareciam campos de trabalhos forçados aos quais homens e mulheres se submetiam em troca de uns parcos tostões que não lhes garantia sequer o feijão à mesa. A fome levou muitos a se alimentarem de xique-xique, ratos, garapa, anus, urubus. Felizmente, o cenário atual é menos dramático, graças aos programas sociais criados por FHC, ampliados por Lula e mantidos por Dilma, mas, como diria Luciano Lellys, repórter-fotográfico do O Mossoroense, as lentes do poder ainda estão com erro de paralaxe, espécie de desvio óptico decorrente do ângulo de visão do observador. A irregularidade das chuvas é característica do Nordeste e não um problema a ser combatido. Problema é a inexistência de projetos eficazes de convivência com esse fenômeno climático que nos atinge há séculos, desde antes de Cabral, influenciando inclusive a migração dos povos indígenas. A falta de consciência também é patente, pois numa terra em que os recursos hídricos são escassos e milhares sofrem o drama do balde e do carro-pipa, ainda nos damos ao luxo de esbanjar água e poluir rios.

Rabo de palha
O senador José Agripino, para quem toda denúncia contra adversário é “caso de polícia”, não consegue se livrar das novas nem das velhas acusações. Ontem, por exemplo, o Blog do Brito reviveu a famosa história do Rabo de Palha, que teve Agripino como protagonista, nos anos 1980.

Prejuízo
A crise na Petrobras, que deve afetar a região até com a paralisação de 80% das sondas e a demissão de centenas de trabalhadores, tem caráter nacional. De acordo com o Grupo de Economia da Energia (GEE) da UFRJ, o setor petrolífero deixará de produzir R$ 62 bilhões em renda até 2019.

Referência
O presidente da Câmara Municipal, Jório Nogueira, tornou-se a referência do governador Robinson Faria em Mossoró. E, de espaço em espaço, pavimenta o caminho que pode levá-lo do Palácio Rodolfo Fernandes ao Palácio da Resistência. É o que se comenta na Governadoria.

Integral
A Assembleia Legislativa emendou a Constituição do RN para incluir o ensino médio em tempo integral, ótimo projeto importado do Centro-Sul pela deputada Márcia Maia, que não deve ser implantado, levando-se em conta que, aos olhos do governo, educação é gasto, jamais investimento.

Solidão
“Sobre as páginas do livro do silêncio/ Minha alma penetra descontente/ À procura de algo que me faça/ Pelo menos pensar que já fui gente”. Trecho de Solidão Noturna, soneto que intitula o livro recém-lançado pelo poeta José Ribamar, nas bancas pela bagatela de R$ 10,00. Vamos comprar.

Agenda aí
Dia 25, a partir das 16h, no Memorial da Resistência, caminhada Outubro Rosa, movimento de conscientização sobre a prevenção ao câncer de mama e colo do útero. Mais informações no (84) 3316-0871 ou nas redes sociais do movimento Mossoró Contra o Câncer.