Pesquisas eleitorais podem influenciar na escolha dos votantes?

Os resultados norteiam as estratégias de marketing adotadas por cada candidato

Há uma semana das eleições municipais muitos brasileiros se preparam para definir seus representantes pelos próximos 4 anos. Em 15 de novembro, a população escolherá os gestores municipais e terá também a possibilidade de alterar drasticamente ou não, os componentes das Câmaras Municipais. Além da campanha realizada nas ruas e através das redes sociais, as pesquisas eleitorais solicitadas pelos candidatos ou partidos tendem a influenciar a decisão do eleitorado.

O professor Dr. Mademerson Costa, do Departamento de Matemática e Estatística da UERN, destaca a importância desses levantamentos, ”Para um candidato ou partido que contrata uma pesquisa eleitoral os resultados irão revelar o perfil dos seus eleitores e seus anseios quanto a uma eventual gestão. Os eleitores podem acompanhar a evolução dos candidatos e as pesquisas podem, por vezes, determinar em quem um eleitor irá votar. Infelizmente, ainda percebemos a prática de alguns em votar no candidato à frente nas pesquisas para ‘não perder o voto.”

Para realização da pesquisa, faz-se necessário a definição de um plano amostral em que o pesquisador decide se o levantamento será feito através de amostragem por cotas ou probabilística. ”A amostragem por cotas é um tipo de amostragem não probabilística na qual o pesquisador compõe uma amostra representativa da população a partir de indivíduos com características de seu interesse. Na amostragem probabilística o pesquisador deverá definir a margem de erro a ser utilizada, como também, o nível de confiança da pesquisa.”

A fim de facilitar a compreensão dos votantes, o docente exemplifica da seguinte forma, ”Se a margem de erro de uma pesquisa é de 2% e um determinado candidato surge com 49% das intenções de votos, significa que a votação para o referido candidato varia entre 47 % a 51%. Agora se o nível de confiança de uma pesquisa é de 95%, por exemplo, caso fosse refeita 100 vezes, em 95 ela apresentaria resultados dentro do intervalo da margem de erro.” Ressalta ainda, que pesquisas eleitorais estão enquadradas na categoria de serviços estatísticos, sendo crucial o registro junto ao órgão competente sob a responsabilidade de um estatístico registrado junto a um Conselho Regional de Estatística (CONRE).

Apesar dos múltiplos benefícios, o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, esclarece que assim como qualquer outra informação, a pesquisa influencia mas não determina a decisão final. Para ele, os dados coletados afetam tanto o voto útil quanto o voto de veto, e que o resultado faz parte de uma série de informações que o eleitor usa para decidir seu voto. Monteiro também reitera que de acordo com a pesquisa que realizou sobre a tese de que o brasileiro vota ”em quem está ganhando”, constatou que apenas 5% fazem isso, os demais vão até o final com os candidatos escolhidos.

Com ânimos acirrados e temendo perder a preferência, alguns candidatos divulgam pesquisas com informações/dados falsos. A advogada Mara Rubia da Silva, enfatiza a problemática dessa prática suja, ”A divulgação será constituída como crime, punível com detenção de seis meses a um ano e o pagamento de multa podendo variar entre R$ 50.000,00 mil a R$ 100.000,00 mil, mais a obrigação de divulgar os dados corretos no mesmo espaço, local, horário, página, caracteres e outros elementos de destaque, de acordo com o veículo usado.”

”Para o registro/validação dos dados de uma pesquisa eleitoral as entidades e empresas, são obrigadas a registrar, junto aos órgãos da Justiça Eleitoral, com até cinco dias antes da divulgação, as seguintes informações: quem contratou a pesquisa, valor e origem dos recursos despendidos no trabalho; metodologia e período de realização da pesquisa; plano amostral e ponderação quanto a sexo, idade, grau de instrução, nível econômico e área física de realização do trabalho a ser executado, intervalo de confiança e margem de erro; sistema interno de controle e verificação, conferência e fiscalização da coleta de dados e do trabalho de campo; questionário completo aplicado ou a ser aplicado e nome de quem pagou pela realização do trabalho e cópia da respectiva nota fiscal.”

Perguntado sobre o impacto das pesquisas em sua escolha, o professor Rômulo Augusto Pinto, pontua que a crença nos dados divulgados dependerá do instituto que realizou o levantamento, ”Na maioria dos casos existem interesses dos contratantes. Ninguém deseja pagar por uma pesquisa cujo resultado não lhe favorece. Por isso, desconfio do resultado.” Ele salienta que as pessoas ainda deixam-se levar pela emoção na hora de definir seus representantes, ”A população vota com coração e ainda leva eleição como competição. Então os mais fanáticos não querem perder. As pesquisas têm esse poder nas pessoas mais fanáticas.”

Além de alimentar as torcidas, gerar insights para propagandas eleitorais e conhecer a população, as pesquisas identificam se decisões tomadas na campanha estão recebendo o feedback esperado. No entanto, sua elaboração demanda uma série de requisitos, além do comprometimento dos candidatos/partidos com a ética e justiça eleitoral. Mesmo que levantamentos impulsionem os concorrentes, são as propostas e responsabilidade social que conduzirão um deles ao assento da Prefeitura Municipal.

Chuva de pesquisas no país de Mossoró

Em Mossoró, 6 candidatos concorrem para ocupar a Prefeitura Municipal, enquanto 476 disputam a preferência popular para o legislativo municipal. No dia 4 de novembro, foram divulgadas 2 pesquisas que indicavam as intenções de voto para gestor municipal, ambas diferiam nas % e no candidato em primeiro lugar. O blog do jornalista Bruno Giovanni publicou a pesquisa encomendada ao Instituto AgoraSei onde apontava Allyson Bezerra à frente da prefeita Rosalba Ciarlini. Para o levantamento, 600 pessoas foram ouvidas em 29 de outubro, a margem de erro é de 3,95% para mais ou menos e o índice de credibilidade é 95%. Na categoria Votos Válidos – estimulada para prefeito, Allyson Bezerra liderava com 42.3%, seguido de Rosalba Ciarlini com 31.2%.

À tarde, a pesquisa realizada pelo Instituto Sensatus apontava Rosalba Ciarlini à frente dos demais candidatos. Foram entrevistadas entre os dias 28 e 30 de outubro, 781 pessoas no município. A margem de erro é de 3,5% para mais ou menos e o índice de confiabilidade é 95%. Na categoria Votos Válidos – estimulada para prefeito, Rosalba Ciarlini liderava com 42.8%, seguida de Allyson Bezerra com 34.9%. Ambas as pesquisas foram registradas na Justiça Eleitoral.

A guerra de pesquisas gera especulações das mais diversas, candidatos se aproveitam dos números e o eleitorado fica atordoado no meio deste tiroteio de informação (ou de desinformação).