Pesquisa do Pnad mostra que mulheres ganham 25,5% a menos que os homens

Mesmo após mais de dois séculos de lutas das mulheres por igualdade no trabalho, em média, a remuneração feminina corresponde a 74,5% do que é pago aos homens que ocupam a mesma função. O dado foi revelado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do ano de 2014, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Essa pesquisa mostra que ainda temos muito a avançar para alcançar a igualdade entre homens e mulheres em relação à remuneração. Infelizmente, mesmo tendo maior escolaridade, as mulheres recebem salários menores, pois o trabalho feminino é menos valorizado pela cultura machista e patriarcal”, explica a coordenadora do Núcleo de Estudos sobre a Mulher (NEM) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), Fernanda Marques Queiroz.

De acordo com o Pnad 2014, o rendimento médio mensal real, renda obtida quando descontada a inflação do país, entre os homens foi de R$ 1.987. Por outro lado, as mulheres obtiveram rendimento real médio de R$ 1.480, o que resulta em R$ 507 a menos para elas mensalmente.

Fernanda Marques destaca, no entanto, que a diferença de remuneração entre homens e mulheres vem caindo nos últimos anos. Conforme mostra a pesquisa do Pnad, no ano de 2013, as mulheres recebiam salários equivalentes a 73,5% do que era pago aos homens, ou seja, 26,5% a menos. Em um ano, a disparidade caiu 1%.

“Se formos levar em consideração o ano de 2010, houve um avanço no quesito remuneração, pois a diferença entre os salários de homens e mulheres na mesma função caiu de 32% para 25,5% em 2014. Contudo, ainda falta avançarmos no sentido de ampliar a presença feminina nos cargos de chefia e nas profissões com maior remuneração”, afirma a professora.

A professora conta que ainda é comum vermos os chamados “nichos femininos de emprego”, funções tipicamente ocupadas por mulheres e que apresentam remuneração menor, como os cargos de professor do ensino infantil e cuidador de idosos. Já profissões ligadas às ciências exatas e com maiores salários, como as engenharias, apresentam menor percentual de participação feminina.

“O processo de orientação das habilidades das meninas começa na infância. Desde os brinquedos, os meninos são estimulados à competição e atividades como construção, enquanto meninas são encorajadas a assumir papel de dona de casa, mãe ou professora, por exemplo. Cabe às famílias e escolas estimularem a criatividade também das meninas para outras áreas”, disse.

Professora universitária aponta importância de políticas públicas voltadas para as mulheres

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres representam 51,5% da população brasileira e hoje ocupam a maioria das vagas nas universidades. Contudo, para que o país consiga diminuir as desigualdades de condições de trabalho e salário entre homens e mulheres, Fernanda Marques aponta como necessárias políticas públicas de promoção de renda voltadas para o público feminino.

“É preciso abordar questões de gênero nas escolas, debater sobre as desigualdades. Cabe ao poder público também promover a geração de renda entre as mulheres, através de medidas como capacitação profissional. O problema, porém, é que, muitas vezes, os cursos ofertados pelas instituições carregam preconceitos e se concentram em profissões menos valorizadas e com menor remuneração”, conta.

Para a professora, outra medida importante para que as mulheres consigam se inserir melhor no mercado de trabalho é a criação de creches em tempo integral, para que as mães possam ocupar vagas de trabalho com maior carga horária e também melhores salários.