Pesquisa da Semob mostra que tarifa “ideal” para Mossoró seria de R$ 6,25

Em estudo realizado pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), a tarifa apontada como “ideal” para o equilíbrio do transporte público mossoroense foi de R$ 6,25. Se aplicado o valor referendado pela pesquisa da pasta, Mossoró teria a passagem de ônibus mais cara do Brasil, mesmo sem contar com outras alternativas de transporte mais rápidas como o metrô e transporte sobre trilhos, como ocorre em outras cidades no país e pelo mundo a fora.

Em São Paulo, cidade onde as rotas são bem maiores que as praticadas em Mossoró, a passagem de ônibus, metrô e trem custa R$ 3,50. Já a integração entre dois sistemas de transporte diferentes (trem + metrô ou metrô + ônibus, por exemplo), custa R$ 5,45.

Em julho deste ano, a Justiça determinou a redução da tarifa de ônibus na cidade do Rio de Janeiro, que possui o custo de vida mais elevado do Brasil, de R$ 3,40 para R$ 3,25, valor 48% menor que a cobrança estipulada para Mossoró.

O sistema de transporte público de algumas cidades adota limites diários de gastos com ônibus, sendo que, após atingido esse limite, o passageiro passa a circular livre de cobranças independentemente de quantas viagens fizer ao longo dia. Em Londres (Inglaterra), por exemplo, o teto para gasto com os ônibus é de £4,40 através do cartão eletrônico oyster você, já a viagem única custa £1,50, debitados no cartão e o passe para sete dias de viagens ilimitadas no sistema custa £21,00.

O levantamento da Semob foi feito com base nos dados apresentados pela Ocimar Comércio de Automóveis Transportes e Turismo Ltda, em relação aos custos operacionais do sistema emergencial de transporte público no mês de agosto deste ano em função da receita apresentada pela empresa.

A Ocimar Transportes informou que, mensalmente, acumula prejuízo de R$ 227.990,56 ao circular em Mossoró devido a fatores como a baixa quantidade de passageiros, estimada em 7.300 diariamente, e à tarifa defasada de R$ 2.

Sistema de transporte mossoroense apresenta baixa demanda

Questionado sobre o estudo tarifário, o diretor de transportes da Semob, Ramon Moura, afirma que a quantidade média de passageiros transportados na cidade subiu em relação ao apontado no estudo, passando de 7.300 para 10.930. Entretanto, para que o sistema de transporte de Mossoró entre em equilíbrio, é necessária a demanda de 15.00 passageiros por dia.

“O estudo foi feito durante a greve da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) e da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), quando a demanda pelo transporte sofreu queda. Com a volta às aulas nas instituições, a quantidade de passageiros subiu para uma média de 10.930 diariamente, o que ainda está abaixo da demanda ideal para equilíbrio do sistema”, declara o diretor.

Ramon Moura explica ainda que, 30% dos passageiros transportados na cidade atualmente são estudantes, outros 53% pagam a passagem inteira e 17% usam o sistema de gratuidade. Ele afirma que espera aumentar a procura dos mossoroenses pelo sistema de transporte público a partir das mudanças implantadas este ano, entre elas o aumento da passagem de R$ 2 para R$ 2,80.

Mesmo com a tarifa mossoroense reajustada esta semana de R$ 3 para R$ 2,80, após ocupação da Prefeitura Municipal de Mossoró (PMM) por estudantes e trabalhadores, a cidade possui uma das passagens de ônibus mais altas do Nordeste, menor apenas que a cobrada Salvador (BA), de R$ 3.

Comparada com a tarifa implantada em cidades de mesmo porte, a passagem mossoroense torna-se ainda mais cara: em Campina Grande (PB), o valor é de R$ 2,55 e em Juazeiro do Norte (CE), a passagem custa R$ 1,90. Já a capital do RN, Natal, conta com tarifa de R$ 2,65.