Pavilhão Vitória

Geraldo Maia do Nascimento - [email protected]

Era um bar, sorveteria e café que existia na Praça Rodolfo Fernandes, ou como era mais conhecida, a Praça do Pax. Foi construído na administração do Padre Mota, em 1945, numa homenagem a vitória das nações aliadas sobre a Alemanha de Hitler. Tinha no teto um símbolo V, de concreto, com mais ou menos um metro de altura.

O seu primeiro arrendatário foi o senhor Severino Rodrigues, cidadão pernambucano. Mas outros também o arrendaram: Antônio Jerônimo de Queiroz (mais conhecido por Seutônio), Jeremias Gurgel, Francisco Leonardo Nogueira (Chico Leonardo), dentre outros.

O Pavilhão Vitória foi por vários anos um agradável ponto de encontro de amigos para os bate-papos sobre qualquer assunto: política, futebol, simples fofocas ou até mesmo sobre as novatas que chegavam ao Alto do Louvor, uma região boêmia de Mossoró, cujas casas noturnas recebiam, periodicamente, belas mulheres.

Nos períodos da manhã e à tarde, era comum a presença dos engraxates, alguns até se destacaram na profissão, como foi o caso de Chico Doidinho, Martelo, os irmãos Antônio e Geraldo Benedito e outros. No final da tarde, as pessoas iam chegando para o seu lanche, e a noite, depois da sessão do Cine Pax, a casa ficava lotada, todos querendo disfrutar de uma mesa ou se associar a algum grupo que já se formara para as resenhas do dia. Dizia, em seus anúncios, que “mantinha a qualquer hora serviços de bebidas geladas, café, doces, lanches, possuindo ainda sessão de confeitaria e charutaria. Que estava dotado de todo conforto, com finíssimas cadeiras de vime ao redor do mesmo, apresentando ainda apreciável decoração e ampla iluminação a luz fluorescente”.

Na revista do 1º Congresso Eucarístico de Mossoró, que circulou em 1946 há uma matéria, cujo título é: “O mundo social e elegante de Mossoró possui, no aprazível Pavilhão Vitória, ambiente fino para as suas reuniões mundanas”. No subtítulo dizia: “Iniciativa da firma Severino Rodrigues que demonstra particular interesse de servir ao progresso da linda cidade mossoroense, com o seu irrepreensível serviço de bar, confeitaria e Café ao público”. Trazia, no corpo da matéria: “A Praça Rodolfo Fernandes é, inegavelmente, um dos recantos mais sugestivos da paisagem da linda cidade mossoroense. Ali a Prefeitura Municipal, na gestão do padre Luiz Mota, realizou vários melhoramentos, erguendo no centro do jardim Almeida Castro um majestoso pavilhão de cimento armado, que a tenacidade comercial do senhor Severino Rodrigues procurou arrendar afim de tornar efetiva a ideia de transforma-lo num ambiente elegante para as reuniões sociais e mundanas da cidade”.

Um dia a municipalidade resolveu que deveria demolir o prédio do Pavilhão Vitória. Mas teria sido mesmo necessário demolir? Não sei em que administração isso ocorreu. Sei que deixou boas lembranças em algumas gerações. Deveríamos ter mais apego a conservação de tudo o que constitui tradição. Os coretos, por exemplo, porque os destruíram? Por que não há mais retretas nas praças? Lembramos sempre que a Prefeitura Municipal mantém uma banda de música, com profissionais pagos, mas que raramente se vê esses profissionais exercerem suas atividades. Nesse caso, como fica o “custo x benefício”?

Como já foi dito, “a música é saudável para o espírito e eventos de tal natureza podem tornar os homens menos agressivos e a vida mais amena”. Quanto ao Pavilhão Vitória, não obstante o nome, perdeu a guerra contra a “modernidade”.16