Para que é o dinheiro!

Há tempos que o comportamento da Câmara Municipal de Mossoró se mantém inalterado. Entra prefeito, sai prefeito, mas nenhum deles se preocupou em adotar medidas antipáticas à população. O desgaste sempre foi absorvido pela bancada situacionista, onde não se admite nem mesmo um voto de congratulações, quando proposto por algum parlamentar da oposição. Lembro que Aluísio governador teve o irmão Garibaldi na Assembleia Legislativa. No período de Geraldo Melo, o cunhado Cipriano Correa era deputado estadual. Mais recentemente, a governadora Wilma de Faria teve dois mandatos coincidindo com a filha deputada. Pois bem, os três não se recusavam em assinar requerimentos pedindo explicações ao Governo sobre algum tema mais polêmico. Pedido de informação não coloca nenhum governo em risco, pois o documento será elaborado por um assessor do governante e não por algum representante da oposição. Entre as funções do legislador está a fiscalização do Executivo, que pode responder ou não aos requerimentos sobre a administração.

Mossoró convive com a grave crise política, econômica, social e moral que incomoda todos os brasileiros. Não pode ser diferente do que acontece por toda parte. O governo federal acusa a oposição de querer um terceiro turno, derrubar Dilma para tomar o poder. Os principais líderes oposicionistas cobram diariamente, sobretudo na tribuna, explicações sobre a situação. Mesmo assim, a grande imprensa acusa a oposição de se fazer de morta, como se nada de errado estivesse acontecendo. A indignação popular aumenta a cada dia que passa e cobra dos representantes da oposição medidas mais consistentes, mais efetivas. É como se a oposição assistisse indiferente ao aumento da inflação, crescimento das taxas de crescimento, desemprego galopante, aumento dos custos dos produtos essenciais co empobrecimento da população. A oposição pode não ter culpa do que está acontecendo, mas tem responsabilidade na crise, sobretudo quando se fala em impedir os abusos por acaso cometidos pelo Governo Federal.

Em Mossoró, a oposição é bem reduzida. São apenas cinco vereadores contra dezesseis que fazem parte da base aliada e que defendem o governo com unhas e dentes. Mesmo assim, coitados, são chamados de raivosos. Por diversas vezes tiveram a voz silenciada com o desligamento dos microfones. Talvez, 99% dos pedidos de informações ao governo foram derrubados. É uma luta desigual, como a de David contra Golias. O gigante, segundo a Bíblia, tinha 2,92 metros de altura. Durante 40 dias o filisteu desafiou Israel, até que David, um jovem com pouco mais de 17 anos e pesando cerca de 50 quilos aceitou o desafio e foi o grande vitorioso. Esse exemplo é sempre lembrado quando se travam lutas desiguais. Sem o radicalismo apregoado, em Mossoró, os vereadores de oposição, têm mostrado competência e conseguido o apoio e a admiração da população. No final de semana, os vereadores Tomaz Neto e Genivan Vale mostraram, de forma didática, o que a oposição cobra em relação à atencipação dos royalties pretendida pelo prefeito.

Ao jornal DeFato, o vereador Tomaz Neto assegura que a prefeitura não precisa antecipar receita de futuras gestões para resolver problemas atuais. Tudo é questão de gerenciamento competente do Orçamento. E disse, “nós não podemos aceitar e permitir que o prefeito Silveira, prejudique o futuro; já basta ele ter eliminado o presente”. E lembrou que “foi o líder do prefeito na Câmara, vereador Soldado Jadson, que  denunciou a existência de supersalários na Prefeitura. Tem agente de trânsito ganhando mais de R$ 12 mil por mês” . Para Tomaz, a antecipação da receita é temerária e mais grave quando o projeto não apresenta transparência. Um cheque em branco. No O Mossoroense, o vereador Genivan Vale  cobra transparência da Prefeitura de Mossoró no uso de recursos da antecipação dos royalties. Lembra que outros prefeitos utilizaram-se da antecipação dos royalties do petróleo. Entretanto, o projeto chegou à Câmara sem previsão de qual será o valor dessa antecipação, sem dizer da sua finalidade, isto é, em que será utilizada. Então, a grande dúvida da população é 1) para que é o dinheiro e 2) como o prefeito usará os recursos.