Otoniel Maia morre aos 69 anos

“As doenças não têm poder sob o meu corpo. Doença nenhuma vai me abalar”. Foi com esse otimismo e confiança que o radialista e ex-vereador Otoniel Maia lutava bravamente contra um câncer e diabetes. A luta ontem chegou ao fim. Otoniel Maia faleceu aos 69 anos no Hospital Wilson Rosado, onde estava há meses internado.

Com larga atuação na imprensa, Otoniel Maia dedicou 41 anos de sua vida ao trabalho na área de comunicação. Passou pela Rádio Tapuyo (hoje Rede Potiguar de Comunicação – RPC), Rádio Difusora, Rádio Rural, jornal O Mossoroense, TV Ponta Negra e TV Mossoró e ficou conhecido por frases emblemáticas usadas em seus programas como “muito mais quente é caieira e ainda sai tijolo cru”.

Foi como repórter policial que Otoniel Maia fez história. Ficou conhecido por casos como a cobertura de um linchamento em Areia Branca no ano de 2003 e ao entrevistar Valdetário Carneiro, uma das figuras mais emblemáticas da região. Declaram contemporâneos da imprensa, que Valdetário só confiou em fazer uma entrevista se fosse com Otoniel.

Ele também teve forte participação na política, tendo sido vereador no município de Felipe Guerra por cinco mandatos. Otoniel Maia também era servidor aposentado da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern).

Ele teve nove filhos, frutos de dois casamentos. De família pobre e humilde, Otoniel Maia cresceu nas profissões que desempenhou e conquistou o respeito e a admiração de todos que o conheciam.
O corpo de Otoniel Maia será encaminhado hoje pela manhã para Felipe Guerra, onde será velado na Câmara Municipal daquele município. À tarde, o corpo será reconduzido a Mossoró, para sepultamento, no Cemitério São Sebastião. Segundo familiares, esse era o desejo de Otoniel.

Da infância pobre até a firmação como profissional

No dia 15 de setembro de 1946, nasceu na região de Cachoeira, no município de Caraúbas, um menino pobre que com três dias de vida foi para o sítio Santana, para ser adotado pelo casal Julio Gersindo e Maria Nazaré de Oliveira, que batizou a criança de Otoniel Maia de Oliveira.

Otoniel muito cedo começou a ajudar o seu pai na luta diária. Trabalhou como vendedor de melancia, batata e tecidos, antes de ser locutor.

Casou-se com “Lizete” no dia 13 de dezembro de 1965, passou muitas dificuldades na comunidade de Santana, às vezes não tinha nem o que comer.Diante das adversidades, veio para Mossoró em busca de oportunidade.

Em 1968, ele chegou ao município e seu primeiro trabalho foi fazer propaganda de rua das Casas Pernambucanas, depois do Armazém do Povo. O seu talento de locutor foi descoberto por Every Costa, que o convidou para trabalhar como apresentador musical na Rádio Difusora de Mossoró, passou alguns anos naquela rádio. E depois passou por diversas rádios, se firmando como locutor e apresentador.