OPINIÃO SOBRE O ENCONTRO DOS PARQUES

Responsável pelo despertar da identidade nordestina em incontáveis seres humanos espalhados Brasil a fora, sem esquecer também no exterior, não apenas no Nordeste Brasileiro, o legado de Luiz Gonzaga vem se avivando com o passar do tempo, pois imorredouro em razão da forma brilhante como o grande Deus de amor e bondade definiu seu processo de construção, a arte do eterno Rei do Baião encanta multidões principalmente por causa da beleza e da relevância em valorizar e cultuar nossa região em sua forma holística, bem como de forma enfática engrandecer a cultura e as tradições do valente povo nordestino.

Escritor, jornalista, radialista e poeta popular, de dotes pungentes, raros, raríssimos, inigualáveis, singulares na expressão plena e absoluta, Francisco Alves Cardoso guarda incólume sob sete chaves a grande paixão pela sublime arte gonzagueana, influenciado notoriamente pela inconfundível relação telúrica que atrela pessoas de bom gosto artístico-musical ao fascínio despertado pela magistral poesia matuta que caracteriza a sublime herança cultural do saudoso sanfoneiro do Riacho da Brígida.

A importância das experiências magníficas observadas em Exu (Estado de Pernambuco) e em São João do Rio do Peixe (Estado da Paraíba) no que diz respeito à preservação da memória e do legado de Luiz Gonzaga foram bem estruturadas em versos pelo renomado articulador cultural paraibano, pois cada estrofe revela a chama flamejante do amor supremo às tradições regionais que o Parque Asa Branca e o Parque O Rei do Baião resguardam em seus domínios benditos, mostrando às gerações presentes e futuras a grandeza de um dos maiores nordestinos de todos os tempos.
O Parque Asa Branca, localizado na cidade natal do Rei do Baião, teve sua estrutura milimetricamente pensada e efetivada pelo próprio Luiz Gonzaga, pois bem sabia seu lugar na história. Nos confins das trilhas sinuosas da chapada do Araripe em solo pernambucano, chão sagrado no qual o filho de Santana e Januário veio ao mundo, tendo deixado firme suas pegadas e boa parte de suas lutas, da permanência dos seus costumes, cultura, valores e tradições, notabiliza-se o encanto de sua idealização fenomenal em prol do reconhecimento de um povo que precisa de referência para se reconhecer dentro dos próprios prognósticos que definem a dimensão exata do conceito de nação enquanto elo aglutinador dos sentimentos e dos ideais de uma gente forte e altiva.
O Parque o Rei do Baião, localizado na comunidade São Francisco, a cinco quilômetros da cidade de São João do Rio do Peixe, localizado às margens do riacho Grotão, vem se transformando em referência quanto à proposta de preservar bases da arte gonzagueana, caracterizando-se pelas nuances paraibanas contidas no locus em que se personificam as raízes do culto ao mito que elevou o nordeste a patamares nunca antes alcançados.

A interação entre os dois Parques é tão forte que sobrinhos de Gonzagão, Joquinha Gonzaga e Piloto, estiveram presentes em 15 de agosto de 2015 quando da entrega dos prêmios referentes aos festivais realizados no Parque Cultural O Rei do Baião.

Fruto da perseverança e da obstinação de Francisco Alves Cardoso, o Parque O Rei do Baião se intercala em objetivos com seu congênere pernambucano, implementando momentos antológicos como o FESMUZA, COPONGONZAGÃO e o concurso Lembrança do Ídolo, o qual em 2015 enfocou Rosil Cavalcanti, célebre compositor pernambucano radicado no Estado da Paraíba, o qual elegeu Campina Grande como relicário sagrado, autor de inúmeras canções interpretadas por Luiz Gonzaga, a exemplo de Tropeiros da Borborema e Aquarela Nordestina.

A importância do Parque Cultural O Rei do Baião torna-se tão proeminente que a atenção de figuras gonzaguenas de destaque, como Dr. Onaldo Queiroga e Dr. Kydelmir Dantas, elegeram o espaço sagrado de culto às tradições nordestinas como imprescindível e indispensável às suas presenças, sendo acolhidos como filhos diletos.

Despertado na ênfase ao reconhecimento enquanto nordestino através da arte de Luiz Gonzaga, rendo homenagens aos dois ambientes marcados pela notável proposta de perpetuação do que nos transmite a essência as canções que ele e inúmeros parceiros compuseram ao longo de sua brilhante história marcada pelo amor ao nordeste e sua gente.

José Romero Araújo Cardoso
Geógrafo. Escritor. Professor-Adjunto IV do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.