Ocupação de leitos de UTI para covid-19 está acima de 80% em 7 capitais

Os especialistas em saúde são cautelosos ao afirmar que o Brasil está entrando em uma segunda onda de covid-19, uma vez que ainda não saímos da primeira. Apesar disso, em todo o país há um aumento significativo na taxa de ocupação de leitos de UTI dedicada a pacientes com a doença.

Levantamento feito pelo Observatório Fiocruz Covid-19 mapeou que pelo menos sete capitais brasileiras estão com a ocupação desses leitos acima de 80%, quando o ideal seria abaixo de 70%. Manaus (86%), Macapá (92,2%), Vitória (91,5%), Rio de Janeiro (92%), Curitiba (94%), Florianópolis (83%) e Porto Alegre (88,7%) estão com as mais altas taxas do país.

Também aparecem com taxas preocupantes, mas ainda abaixo da zona de alerta crítica, segundo os pesquisadores, Fortaleza (78,7%), Belém (78,3%) e Campo Grande (76,1%).

“O diagnóstico inicial da capacidade instalada no país para o atendimento de pacientes graves de covid-19 revelou grandes desigualdades entre as regiões e forte concentração de recursos voltados para o setor de saúde suplementar em áreas específicas, com gritante diferença entre a disponibilidade de leitos de UTI para atender os 75% de cidadãos brasileiros dependentes do SUS e os 25% portadores de planos de saúde”, diz o boletim da Fiocruz.

Fontes ouvidas pela EXAME apontam que normalmente leitos de UTI ficam com taxa de ocupação muito próxima ao limite, mesmo sem a pandemia, devido ao alto custo de mantê-los vazios. Mas a covid-19 trouxe um fato inesperado, que é o de um aumento muito rápido de internações.

Para lidar com as oscilações bruscas, as redes tendem a remanejar leitos de outros tipos de atendimentos para a covid-19. É uma opção à lotação, embora a necessidade de ter muitos leitos voltados somente à covid possa atrapalhar o tratamento de outras emergências.

Desde a semana passada, a Secretaria da Saúde de São Paulo suspendeu o agendamento de novas cirurgias eletivas em hospitais públicos e privados do estado para abrir mais espaço a pacientes com o coronavírus. Cirurgias eletivas são aquelas não urgentes, marcadas com antecedência.

O governo do Paraná também vai suspender todas as cirurgias eletivas a partir do dia 1º de dezembro. A medida tem validade por 30 dias. A prefeitura de Curitiba vai ainda ativar mais 50 leitos de UTI em hospitais da cidade a partir da próxima semana. No Rio de Janeiro, a prefeitura descarta reativar os hospitais de campanha.

De acordo com o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, a taxa de ocupação de leitos de UTI em hospitais municipais está em 49%. Na rede privada a taxa é de 66%, e em hospitais estaduais localizados na capital paulista é de 60%.

Ainda segundo ele, 20% de todas as internações na capital são de pessoas de fora da cidade, e estão principalmente na rede privada.

A Grande São Paulo atingiu o maior número de novas internações por covid-19 desde agosto. Dados da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo mostram que na quarta-feira, 25, foram 872 novos pacientes internados em leitos de UTI e de enfermaria. A média diária dos últimos sete dias está em 726.

EXAME