O poeta Ivaldo de Carpina ou “As andanças de um pernambucano/ Divulgando as belezas do cordel”

É inegável o sucesso que a literatura de cordel tem alcançado nos últimos tempos em todo o país. Alguns poetas, como o professor Ivaldo Batista, são responsáveis por esta disseminação deste gênero poético Brasil afora.

Em visita a Mossoró na última semana, participando da XI Feira do Livro com 150 títulos na bagagem, Ivaldo falou de sua luta para levar aos quatro cantos do país seus versos: “Já teve ocasiões em que eu fui até Porto Alegre-RS, parando de cidade em cidade, deixando meus cordéis nas bibliotecas públicas e em museus”, comentou.

Utilizando uma estratégia inteligente, Ivaldo tem escrito cordéis homenageando cidades brasileiras às quais visita: Rio de Janeiro, Recife, Natal e Mossoró estão no rol de suas publicações. Em visita à região Sul, o poeta se valeu do futebol e homenageou times com grandes torcidas como Internacional e Grêmio, conquistando, assim, simpatizantes de ambos os lados.

“Cheguei em uma banca de revistas e perguntei ao dono se ele tinha literatura de cordel, ele mal quis falar comigo, disse que ‘estas coisas só se encontra no Nordeste’, então tirei um cordel e lhe dei de presente, quebrando aquela frieza que existe em relação a esta nossa literatura tão nossa”, conta o poeta, que, segundo seus dados, já esteve em quase todos os estados brasileiros.

Sobre o avanço da literatura de cordel, Ivaldo diz que os poetas precisam se utilizar do advento da internet em seu favor e comenta um fato ocorrido com ele em decorrência do falecimento de Dominguinhos: “Uma editora encomendou um cordel sobre a morte de Dominguinhos, eu entreguei o cordel pela manhã e eles fizeram uma pequena divulgação, à tarde já tinha gente de todo o mundo comentando aquele texto, então temos que tirar proveito destas ferramentas que estão aí”.

História do jornal O Mossoroense serve de inspiração para título de cordel do poeta pernambucano

Ivaldo tem estreitado laços com Mossoró já há algum tempo. Em parceria com o também poeta Kydelmir Dantas fizeram um cordel em homenagem ao centenário de Maria Bonita. Antes, o poeta já havia escrito o folheto intitulado “Mossoró bota Lampião pra Correr” e este ano, em homenagem ao aniversário deste jornal, escreveu “O Mossoroense – 143 contando nossa história.

“Eu achei intrigante você ter um jornal em mãos, que, pela idade, poderia ter sido lido até por D. Pedro, pela Princesa Isabel. O jornal poderia ter feito matéria com eles, por sinal. Então isto foi uma das coisas que mais me levaram a fazer esta viagem no tempo”.

“Sei que este jornal vence,
Tenho plena consciência.
Pesquisei a sua história
E dela tenho ciência,
O jornal O Mossoroense
Vence pela resistência.”