sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
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O peso histórico de um voto feminino pela democracia

A história política do Brasil acaba de ganhar um marco simbólico e inesquecível: foi uma mulher, a ministra Cármen Lúcia, quem deu o voto que formou a maioria pela condenação do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.

Esse gesto carrega uma força histórica. Afinal, Bolsonaro construiu sua trajetória pública marcada por comentários machistas e agressivos contra mulheres, que entraram para os registros mais sombrios da política brasileira.

Os ataques de Bolsonaro contra as mulheres

2003 – No plenário da Câmara dos Deputados, Bolsonaro disse à deputada Maria do Rosário (PT-RS): “Não te estupro porque você não merece.” A fala, de cunho violento e misógino, gerou processos e pedidos de cassação.

2014 – Reiterou a mesma frase ofensiva a Maria do Rosário em entrevistas, demonstrando não apenas desprezo pela dignidade da parlamentar, mas também pela gravidade do crime de estupro.

2016 – Declarou em entrevista à Folha de S.Paulo que ter uma filha mulher foi uma “fraquejada”, reduzindo a existência feminina a um sinal de fraqueza.

Campanha de 2018 – Disse que mulheres deveriam ganhar salários menores que homens por engravidarem, desconsiderando a luta histórica por igualdade de gênero no mercado de trabalho.

Durante o governo – Minimizou políticas de igualdade, desdenhou do movimento feminista e, em várias ocasiões, ironizou pautas de proteção contra a violência doméstica.

Esses episódios consolidaram a imagem de um líder que, além de atacar instituições democráticas, também cultivou um discurso hostil às mulheres.

A resposta da história

Ao votar pela condenação, a ministra Cármen Lúcia enviou uma mensagem clara: ninguém está acima da lei — e a democracia não pode ser refém do autoritarismo nem do machismo.

O fato de ter sido justamente uma mulher ministra a consolidar a maioria contra um ex-presidente conhecido por seu histórico de falas misóginas reforça o caráter simbólico desse momento.

Um marco democrático e feminista

O julgamento entra para a história não apenas pelo resultado jurídico, mas também pelo simbolismo social. Em um país onde mulheres ainda precisam lutar diariamente para conquistar respeito e igualdade, o voto de Cármen Lúcia ecoa como justiça histórica e como exemplo de que a democracia brasileira se sustenta na pluralidade de vozes, inclusive, e sobretudo, das mulheres.

 

Por Joyce Moura – jornalista

@joycemourarealize

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