terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
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O papel estratégico de brasileiros no pontificado de Leão XIV

Conheça como contribuem bispos, padres, religiosos e leigos nos organismos da Santa Sé

 

Pe. Rodrigo Rios – Vatican News 

No coração da Igreja, onde as decisões administrativas encontram o sopro do Espírito Santo, a presença brasileira não é apenas uma questão de representatividade numérica, mas de liderança técnica e pastoral. No atual pontificado do Papa Leão XIV, o Brasil consolida-se como um pilar fundamental nos Dicastérios e organismos da Santa Sé, unindo a experiência da “Igreja em saída” das Américas ao rigor jurídico e teológico exigido pela Cúria Romana.

Inúmeros brasileiros, entre clérigos, religiosos e leigos, compõem os quadros do Vaticano. Muitos atuam com extrema discrição, desempenhando funções vitais longe dos holofotes.

A liderança de dom Ilson de Jesus Montanari

O principal eixo da administração brasileira em Roma permanece sob a responsabilidade de dom Ilson de Jesus Montanari. Em setembro de 2025, o Papa Leão XIV confirmou sua permanência como secretário do Dicastério para os Bispos. Neste cargo, dom Ilson coordena a delicada seleção de pastores para dioceses em todo o mundo.

Sua influência é amplificada pelo acúmulo de funções estratégicas. Ele é secretário do Colégio Cardinalício e vice-camerlengo da Santa Romana Igreja, uma função essencial para a estabilidade institucional em momentos de transição.

Gestão leiga e representatividade

Embora muitos acreditem que apenas bispos e padres atuam na Cúria Romana, a realidade revela uma presença crescente de leigos e religiosos em postos de decisão:

– Gleison de Paula Souza: mineiro, casado e pai de família, atua como secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida desde novembro de 2022.

– Ir. Maria Eliane Azevedo da Silva, MSC: também mineira, foi nomeada em 2023 como membro do Dicastério para a Evangelização (Seção para as questões fundamentais da evangelização no mundo).

Organismos da Santa Sé – Moyses Azevedo

O elo com o continente: CAL e Pe. Alexandre Awi Mello

Uma figura central na conexão entre Roma e a América Latina é o Pe. Alexandre Awi Mello. Embora tenha deixado o cargo de secretário do Dicastério para os Leigos em 2022 para assumir como superior-geral do Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt, sua atuação no Vaticano permanece através da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL). Ele explica que a função dessa comissão praticamente está vinculada ao Dicastério para os Bispos, e se dedica ao estudo das questões que se referem à vida, ao desenvolvimento das igrejas particulares na América Latina, para dar ajuda aos dicastérios interessados. Como conselheiro, o sacerdote define a missão da CAL através de uma tríade estratégica: “A Comissão é lente, ponte e fonte. Lente para que possamos olhar melhor a realidade da América Latina a partir da Cúria e vice-versa; ponte entre a realidade do continente e a Cúria Romana; e fonte porque dá subsídios, tanto de estudo como materiais, para atividades relacionadas à região”.

Sua vivência anterior no Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida também enriquece essa ponte. Ele descreve a experiência de lidar com a universalidade da Igreja como algo incrível, onde se percebe “realidades tão diferentes, mas que também têm muitas coisas em comum”.

O colégio cardinalício: representação brasileira

O Brasil exerce influência direta nas decisões papais por meio de seus cardeais-membros:

– Cardeal Jaime Spengler (Porto Alegre): presidente da CNBB e do CELAM, atua simultaneamente na Cúria Romana como membro dos Dicastérios para a Doutrina da Fé, para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos e para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Nessa condição, ele colabora como um conselheiro estratégico do Papa, participando diretamente da formulação de normas litúrgicas, da tutela da fé e da supervisão das ordens religiosas.
– Cardeal Sérgio da Rocha (Salvador): como membro do Conselho de Cardeais (C9), auxilia diretamente o Papa na reforma da Igreja.
– Cardeal Paulo Cezar Costa (Brasília): atua no Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos e integra a CAL.
– Cardeal Odilo Pedro Scherer (São Paulo): peça fundamental no Conselho para a Economia, membro do Dicastério para o Clero, membro do Dicastério para a Cultura e a Educação e membro do Dicastério para a Evangelização.
– Cardeal Leonardo Ulrich Steiner (Manaus): membro do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada.
– Cardeal Orani João Tempesta (Rio de Janeiro): membro do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos e membro do Dicastério para a Evangelização.

Uma vocação de serviço

A presença desses brasileiros nos organismos do Vaticano reflete a maturidade da Igreja no Brasil. O Pe. Alexandre define esse serviço como essencial: “É um grande serviço ao Santo Padre, um grande serviço à Igreja, bastante discreto, pouco visto e às vezes até mal visto… mas tem muita santidade ali”.

Essa colaboração direta ajuda o Papa Leão XIV a governar sob o seu lema: “In Illo Uno Unum” (No Cristo um só, somos um). Os brasileiros na Santa Sé atuam, portanto, como pontes de valores e unidade, fortalecendo o ministério do Romano Pontífice.

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