O MANDATO DE FERNANDO MINEIRO

 

Manobra

Liderança do PT em Mossoró, Tércio Pereira de Sousa divulga vídeo no Instagram protestando contra o que descreve como manobra do deputado federal Beto Rosado (PP) para permanecer no mandato que deveria estar sendo exercido pelo petista Fernando Mineiro.

 

 

Prorrogação

Beto perdeu a vaga e Mineiro deveria tê-la assumido como efeito secundário da anulação dos votos dados a Kéricles Alves Ribeiro, o Kerinho, em 2018, fato que modificou o quociente eleitoral – quantidade de votos que o partido precisa para conquistar cada vaga no legislativo.

 

Milagre liminar

Quando a posse de Mineiro parecia irreversível, o parlamentar mossoroense conseguiu, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma milagrosa liminar que o sustenta na função por enquanto e, pelo visto, até janeiro de 2023, no esgotamento da legislatura em curso.

 

Perda de representatividade

Votei em Beto nas eleições de 2018 e o considero um parlamentar sério, trabalhador e comprometido com a região. Por isso e pela perda de representatividade de Mossoró no Congresso, lamento o desfecho do caso Kerinho, mas o mandato pertence de direito – e pelo voto – ao PT na pessoa de Mineiro.

 

放荡

A China enviou para o Brasil os medicamentos do “kit intubação” com as instruções de uso (embalagens, rótulos e bulas) em mandarim. No melhor “chinês simplificado” do Google Tradutor, só tenho a declarar que isso é uma 放荡 (Fàngdàng). Aos estudos:

 

 

Muito bem

A prefeitura de Mossoró informa que 514 doses da vacina contra Covid-19 foram aplicadas no feriado de Tiradentes. Dez Unidades Básicas de Saúde (UBSs) permaneceram abertas para atender os beneficiários tanto da primeira quanto da segunda dose. Adiante!

 

Holocausto na educação

A vereadora Marleide Cunha foi dura ao criticar a retomada das aulas presenciais para alunos até a 5ª série, em estabelecimentos públicos e privados, por determinação da governadora Fátima Bezerra, sua companheira de Partido dos Trabalhadores. Na avaliação de Marleide, em entrevista à TCM, os professores estão sendo enviados “para um holocausto”.

 

 

Outro amigo

O jornalista e fotógrafo Marcus Ottoni morreu hoje no hospital de campanha da Via Costeira, em Natal-RN. Passou um tempo por Mossoró, cobrindo campanhas políticas. Usava a redação do O Mossoroense como base. Daqui, envio meus votos de pesar à família.

 

Prova de vida

O Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Rio Grande do Norte (Ipern) divulgou nota informando que continua suspensa a prova de vida dos servidores aposentados e pensionistas, com previsão de retomada em junho. Os beneficiários nascidos de janeiro a maio, só serão recadastrados em 2022.

 

Um caso estranho

Peguei o bonde andando no episódio da prisão da auditora fiscal Alyne de Oliveira Bautista. As mensagens que me chegaram via WhatsApp pareciam tão surreais que só dei credibilidade a tais narrativas depois de ver Roberto Requião, ex-prefeito de Curitiba, duas vezes senador da República, três vezes governador do Paraná, manifestar-se sobre o assunto no Facebook.

 

 

Fui investigar

Mesmo assim, preferi me inteirar da situação antes de fazer comentários. Precisava botar os olhos na decisão que decretou e na que revogou a prisão para saber se estavam realmente ligadas às denúncias de Alyne contra os sócios do Centro Brasileiro de Educação e Cidadania (Cebec), juiz Jarbas Antonio da Silva e servidora pública Lígia Regina Carlos Limeira.

 

Quem pediu e quem mandou

A auditora foi presa por ordem da juíza da 4ª Vara Criminal natalense, Ada Galvão, em atendimento a representação da delegada Karla Rego, da Defesa do Patrimônio Público e do Combate à Corrupção (Deccor), e a pedido da promotora Ana Machado.

 

Busca e apreensão

A 4ª Vara Criminal autorizou ainda, com base nos documentos da Polícia Civil e do MP, a busca e apreensão de aparelhos eletrônicos da investigada e a extração dos dados neles contidos.

 

Os fundamentos apresentados

A prisão foi decretada com a justificativa principal de preservar a honra do juiz e da servidora do TRE atingidos pela divulgação de notícias supostamente falsas espalhadas por Alyne nas redes sociais, em descumprimento da ordem judicial que a proibiu de falar sobre Jarbas e Lígia. A juíza acrescentou que a auditora estaria ameaçando os dois.

A decisão que decretou a prisão preventiva está disponível para consulta pública no PJe. Leia.

 

Sociopatia e censura

O juiz que se diz vítima descreve Alyne como “sociopata de altíssima periculosidade” e afirma se sentir ameaçado. O advogado dela, Joseph Araújo, declarou à Tribuna do Norte que a prisão é um ato de censura para calar denúncias acerca de supostas irregularidades em negócio de R$ 3,8 milhões firmado entre a empresa do magistrado e o governo do RN.

 

A revogação da preventiva

O desembargador Gilson Barbosa mandou soltar Alyne Bautista. Julgador experiente, ponderado, Barbosa não viu periculosidade ou ameaça nos atos da auditora e destacou que “a presença de um magistrado na contenda” não representa por si “abalo da ordem social”.

A decisão que mandou soltar Alyne também está disponível para consulta pública no PJe. Veja.

 

Judiciário exposto

Apenas uma vez, além dessa, soube de alguém preso pela reiteração em crimes contra a honra (injúria, calúnia e difamação), coincidentemente de magistrados. As circunstâncias, entretanto, eram muito diferentes. No episódio atual, a prisão de uma senhora, em plena pandemia e por delitos de opinião, parece-me exagerado e, de certa forma, expõe o Judiciário que já deveria ter se manifestado institucionalmente.

 

A Rosa dos camelôs

Os seguidores da ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PP) não podem criticar a retirada de quiosques do Vuco-Vuco pela administração solidária de Allyson Bezerra. Nas primeiras gestões, a Rosa foi só espinhos para a categoria. Há episódios dramáticos, dolorosos, que nem devem ser lembrados em respeito às famílias atingidas, fruto de ações noturnas idênticas.

 

Na rua

Às vezes dá uma vontade danada de voltar a ser repórter de rua.

 

 

 

Soneto LXVI

 

Pablo Neruda

 

Não te quero senão porque te quero

e de querer-te a não querer-te chego

e de esperar-te quando não te espero

passa meu coração do frio ao fogo.

 

Quero-te apenas porque a ti eu quero,

a ti odeio sem fim e, odiando-te, te suplico,

e a medida do meu amor viajante

é não ver-te e amar-te como um cego.

 

Consumirá talvez a luz de Janeiro,

o seu raio cruel, meu coração inteiro,

roubando-me a chave do sossego.

 

Nesta história apenas eu morro

e morrerei de amor porque te quero,

porque te quero, amor, a sangue e fogo.