O carnaval que não aconteceu

Geraldo Maia do Nascimento - [email protected]

Este ano, por causa da pandemia, não houve festas carnavalescas. Nada de mais para Mossoró que há muitos anos aboliu esses festejos do seu calendário. Mas Mossoró já foi uma cidade de grandes carnavais, com corso, blocos de rua e bailes em clubes sociais da cidade.  Mergulhamos na história para conhecer mais sobre as origens do carnaval brasileiro.

Podemos dizer que o carnaval é uma das festas mais antigas da humanidade. Dez mil anos antes de Cristo, homens, mulheres e crianças se reuniam no verão com os rostos mascarados e os corpos pintados para espantar os demônios da má colheita. As origens do carnaval têm sido buscadas nas mais antigas celebrações da humanidade, tais como as Festas Egípcias que homenageavam a deusa Isis e ao Touro Apis. Os gregos festejavam com grandiosidade nas Festas Lupercais e Saturnais a celebração da volta da primavera, que simbolizava o Renascer da Natureza.

O carnaval, tal como conhecemos no Brasil, tem sua origem no entrudo português, onde, no passado, as pessoas jogavam umas nas outras, água, ovos e farinha. O entrudo acontecia num período anterior à quaresma e, portanto, tinha um significado ligado à liberdade. Este sentido permanece até os dias de hoje no Carnaval.

O entrudo foi trazido para o Brasil por volta do século XVII, por influência dos portugueses das Ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde. Era uma brincadeira de loucas correrias, mela-mela de farinha, água com limão, colorau, etc. Em meios mais nobres, esses produtos eram substituídos por confetes e serpentinas e lança-perfumes. Esse formato primitivo do entrudo permanece até hoje em algumas regiões do Brasil, principalmente no Nordeste. Damos como exemplo a vizinha cidade de Aracati, no Ceará, onde essa prática ainda é usada. Em países como Itália e França, o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os carnavalescos usavam máscaras e fantasias. Personagens como a colombina, o pierrô e o Rei Momo também foram incorporados ao carnaval brasileiro, embora sejam de origem europeia.

E dessa forma foi sendo formado o carnaval brasileiro.  Uma mistura do entrudo português com os mascarados da Itália e França, apimentado com o ritmo alucinante dos tambores africanos e o requebrado de nossas mulatas.  Vieram depois as marchinhas que deram um novo ritmo ao carnaval brasileiro, tornando-o mais animado e com características únicas.

No final do século XIX, começaram a aparecer os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os famosos “corsos”. Estes últimos, tornaram-se mais populares no começo dos séculos XX. As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades. Está aí a origem dos carros alegóricos, típicos das escolas de samba atuais.  Continuou crescendo até tornar-se a maior festa popular brasileira.

Em nosso país é festejado tradicionalmente no sábado, domingo, segunda e terça-feira anteriores aos quarenta dias que vão da quarta-feira de cinzas ao domingo de Páscoa. Na Bahia é comemorado também na quinta-feira da terceira semana da Quaresma, mudando de nome para Micareta. Esta festa deu origem a várias outras em estados do Nordeste, todas com características baiana, e com a presença indispensável dos Trios Elétricos. Com esse formato são realizadas no decorrer do ano, em Fortaleza, o Fortal; em Natal, o Carnatal; em João Pessoa, a Micaroa; em Campina Grande, a Micarande; em Maceió, o Carnaval Fest; em Caruaru, o Micarú; em Recife, o Recifolia, etc.

As primeiras notícias que temos da festa de momo em Mossoró é de 1913, quando “um pequeno grupo de cavalheiros e pouco maior número de crianças” saíram fantasiados pelas ruas da cidade no domingo de carnaval. Naquele mesmo dia houve uma festa no Cinema Almeida Castro, onde “a fina flor mossoroense” travou uma verdadeira batalha de confete, serpentina e lança-perfumes.  Na segunda-feira outros bailes se realizaram. O jornal “O Mossoroense” registrava “uma soerée familiar na casa do diretor do jornal e, outro ainda, no Polytheama, como remate à festa anual tão cheia de atrativos. ” Dessa forma começavam as comemorações do carnaval em Mossoró.

Mas esses festejos foram abolidos da cidade por falta de apoio público. Outras festas, como o São João, foram priorizadas no município e com isso acabou o carnaval. Apenas algumas manifestações folclóricas permanecem como os blocos de ursos, na maioria formados por crianças, na esperança de angariar alguns trocados durante esse período.

Então para nós, mossoroenses, nenhuma novidade sobre o cancelamento das festas carnavalescas. Tudo permanece como antes.

Para conhecer mais sobre a História de Mossoró visite o “blogdogemaia.com” ou o canal do You Tube “Na História com Geraldo Maia”.