O CAFÉ DE MANOEL LOPES – Wilson Bezerra

Uma volta ao passado, isto pela década de vinte, já entrando para a de trinta, Mossoró viveu uma época de efervescência política provocada pelos adeptos do Partido Liberal e amantes do futebol.

O radicalismo mossoroense imperou quando governava o Estado o senhor Juvenal Lamartine, que sofreu por demais acusações e criticas a sua gestão em todos os aspectos, administrativos, da cobrança de imposto até questões políticas corriqueiras.

O ponto de afluência para essas questões foi o Café do desportista Manoel Lopes de Melo, um ponto de influente encontro não só de desportistas como de políticos dos mais radicais possíveis, a maioria destes contrários ao governador Juvenal Lamartine, na maioria partidários do Partido Liberal.

Intelectuais da época, José Martins de Vasconcelos, dono do Jornal O Nordeste, daqui de Mossoró soltava suas bombas, recebia rajadas do Correio do Povo de Natal, juntavam-se aos intelectuais da terra José Otávio, Amâncio Leite, renomado advogado rábula, enfim eram detonadas as maiores bombas destrutivas ao Governo Lamartine.

O Café de seu Manoel Lopes, ficava localizado ao lado da Matriz de Santa Luzia, mesmo esquina com as Ruas Padre Urbano com Dix-sept Rosado, e sua época de apogeu politica foi entre os anos de 1927-1930, segundo dados do jornalista e escritor Lauro da Escóssia em sua coluna Mossoró no Passado.

A situação inflamou-se muito mais no café de seu Manoel Lopes quando o movimento revolucionário de 1930 avançou com gosto de gás aos ataques ao Governo Lamartine, que culminou com o sua deposição.

Mossoró, por tradição, sempre manteve um café como ponto turístico de fofocas, política e de futebol para manter o interesse dos apaixonados. O café de seu Nené por muitos anos manteve a curiosidade dos feirantes do mercado central, que logo cedinho tomavam conhecimentos dos fastos da noite anterior, preferencialmente dos assuntos ligados ao baixo meretrício, relacionados com os boêmios.

Posterirormente, há décadas passadas, o café de seu Francisquinho Nunes foi outro ponto de apoios a esse tipo de comentários fofoqueiros, mas que aglutinou diferentes

tendências políticas e sociais da coletividade, alimentadas pelos jornais O Nordeste, do jornalista Martins de Vasconcelos, e o Correio do Povo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *