O ano que não aconteceu – Geraldo Maia

Estamos chegando ao final de 2020 com a sensação de que alguma coisa ficou perdida no meio do caminho. O ano começou, como todos os anos, com desejos de paz, saúde e prosperidade para todos. Chegou janeiro e antes do final do mês uma notícia nas redes sociais abalou o mundo: Um vírus desconhecido pela ciência até a pouco, vem causando uma doença pulmonar grave em centenas de pessoas na China, e já foi detectado nos Estados Unidos, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul e Macau. Ao menos 17 pessoas morreram em decorrência do vírus, que surgiu em dezembro passado na cidade chinesa de Wuhan. Ele infectou mais de 400 pessoas, segundo registros oficiais. E o número deve subir, segundo especialista, para quem o surgimento de vírus que levam pacientes a terem pneumonia é sempre motivo de preocupação. “ Mas chegou fevereiro e com ele o carnaval, fazendo o povo cair na folia.  Cidades como Rio de Janeiro, Recife e Bahia, principalmente, receberam turistas do mundo todo. E foi aí que tudo começou.

Mesmo com o carnaval rolando, o Brasil começou a tomar as primeiras precauções ligadas a pandemia do Corona vírus, repatriando 34 brasileiros que estavam em Wuhan, apontada como epicentro da infecção. Duas aeronaves da Força Aérea Brasileira aterrissaram no Brasil com o grupo, que ficou e quarentena por 14 dias na Base Aérea de Anápolis, em Goiás.

Na quarta-feira de cinza, 26 de fevereiro, foi confirmado o primeiro caso de Corona vírus no Brasil. O paciente era um homem de 61 anos que havia viajado a Itália. Desde então, a infecção se alastrou por todos os Estados por meio de um tipo de transmissão chamada de comunitária, que não permite se saber onde, exatamente, uma pessoa contraiu o vírus. E com essa notícia o Brasil parou.

De repente, os jovens não podiam mais ir as escolas, os pais, em alguns casos, tinham que trabalhar em casa, no chamado “home office”, as fábricas começaram a fechar e com o fechamento centenas de demissões, com o aumento do desemprego o comércio passou a vender menos, e também demitiu, e milhares de trabalhadores sem emprego passaram a depender de auxílio do governo, numa ação que me fez lembrar uma canção de Luís Gonzaga, o Rei do Baião, quando disse: “Seu doutor uma esmola, para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.5

Os projetos, que tínhamos para esse ano, não puderam ser realizados. Já não era possível participar de eventos, encontrar amigos, abraçar nem mesmo os familiares, e um novo tipo de indumentária surgiu: as máscaras de proteção. E ocultos pelas máscaras, deixamos de ser reconhecido pelas pessoas. Se apertasse a mão de alguém, tinha que correr para passar álcool, 700, que mata 99% dos germes, para desinfetar.

Em Mossoró, cidade com aproximadamente 300 mil habitantes, o vírus atacou pesado. Segundo o Boletim Epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte e pela Secretaria Municipal da Saúde, com data de 23 de dezembro de 2020, estamos com 4.016 suspeitos, foram descartadas 22.558 pessoas, confirmados 10.370 casos, dos quais foram curados 9.289, com 255 mortes. Muitos professores, artistas, médicos e enfermeiros, pessoas conhecidas se foram com a pandemia. Alguns conseguiram se curar, ficando com sequelas por muito tempo, mas felizes pela vida.

Neste Natal o presente que mais se espera é que a vacina chegue logo, que a mesma consiga debelar o vírus e que não haja nenhuma reação negativa. Outras pandemias, que no passado causaram tanto mal, foram controladas com vacina. Esperamos que desta vez não seja diferente.

Chegamos ao final do ano com a sensação horrível de que este ano não aconteceu. Mas com muitos projetos acumulados para o próximo ano.

Feliz natal e um ano novo sem o coronavírus.

 

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