Notícias que chocam e nos fazem entender o que a alienação parental pode trazer

Mãe perde guarda do filho após espalhar falso sequestro. Esta notícia abalou muitas pessoas, tornou-se viral nas redes sociais, em especial nos grupos que defendem a guarda compartilhada e os que criticam a prática da alienação parental.

Em síntese, a mãe divulgou que o seu filho havia sido sequestrado. Falsa informação. Ao final, por determinação judicial, a criança foi retirada provisoriamente da mãe e encaminhada a um abrigo municipal, exclui-se também o benefício da guarda provisória ao pai.

Certo que é difícil julgarmos a decisão da Magistrada que assim determinou, pois desconhecemos os autos do processo, porém, sem sombras de dúvidas, é uma decisão truculenta e que levou uma criança de 1,8 anos a ser encaminhada para um abrigo da Prefeitura local. Não podemos também nos manifestar em relação a qualidade deste abrigo, pois desconhecemos, mas é certo que esta criança estará sem lar e sem seus parentes próximos.

Não sei dizer se a medida é o melhor para criança, mas criticar sem saber o conteúdo e o cerne da questão, é prematuro e irresponsável de nossa parte.

Porém, uso este exemplo para demonstrar que a prática da alienação parental, em milhares de casos em nosso país, leva mães (na sua grande maioria) relatar falsa comunicação de crime, alegando que o ex-marido (genitor alienado) agrediu a criança, a própria mãe, abusou sexualmente da criança, entre outras atrocidades que me recuso a descrever.

Quem se lembra do pai que colocou seus quatro filhos no carro e foi de encontro a um caminhão, morrendo todos? Este pai deixou uma carta de quatro páginas de forma a justificar o ato. O que nos chama a atenção é quando escreve “Hoje é um grande dia, para mim e meus filhos. Estaremos buscando um lugar de paz onde não exista humilhação e covardia.”

O que leva um pai a cometer tal ato de desespero? Desequilíbrio mental? Depressão profunda? Desespero?

Seja lá o que for, não justifica. Mas nos faz pensar.

Recentemente uma criança caiu do 26º andar de um edifício em São Paulo. A mãe estava ausente pois havia ido buscar o namorado. havia quatro meses que os pais estavam separados. A criança estava com a lancheira ou mochilinha. Muito estranho todos os fatos narrados na imprensa.

Esta notícia também foi viral nas redes sociais. Nos mesmos grupos sobre alienação parental e guarda compartilhada.

Não julgarei e nem mesmo afirmarei qualquer coisa a respeito das notícias, apenas, chamo a atenção dos leitores. Vamos dizer que estas atrocidades sejam frutos da alienação parental, já não é motivo suficiente para os pais em litigio pensarem nas consequências trágicas que podem provocar?

Não posso acreditar, como um depoimento que tive há pouco tempo de uma mãe que perdeu o poder familiar por acusações falsas ao ex-marido, que foi orientada pelo advogado a fazer tais queixas crimes contra o ex-marido. Me recuso acreditar que tenhamos profissionais do direito com esta índole, e me recuso ainda mais acreditar que um genitor seja induzido a cometer tal ato por influência de pessoas inescrupulosas como esta, caso seja verdade. Mais uma vez digo, foi depoimento espontâneo, desconheço os autos do processo. Apenas ilustrativo.

Vamos, no mínimo, ser responsáveis em buscar o ideal para os filhos, não vamos provocar tragédias como os exemplos citados, não vamos fazer nossas crianças de pais separados sofrerem mais do que já estão sofrendo com a separação de seus genitores.

Como disse anteriormente, não estou aqui julgando ou afirmando terem sido os atos acima provocados por pura alienação parental, mas sem sombra de dúvidas, e isto podemos afirmar, há indícios fortes de haver a prática, afinal todos eram pais separados e em litigio.

Leitores, um apelo muito consciente, antes de buscarem uma batalha judicial, que tal buscar uma batalha para o bem-estar de seus filhos?

Não subestimem os sentimentos um do outro, pois a depressão leva a atos impensados, trágicos, e que ao final resulta em morte, caso não seja tratado adequadamente.

Tive um grande amigo que se suicidou, e não tinha qualquer problema financeiro, amoroso, ou seja lá qual fosse, apenas tinha a chamada profunda depressão.

Pensem que ao provocarem profunda depressão no genitor alienado, na criança alienada, o que pode acontecer? É isto que você deseja para seu filho? Filha?

Quando lerem alguma notícia nos jornais que envolva a princípio, alienação parental, lembrem-se deste meu artigo e reflita consigo mesmo. Será que eu estou praticando isto? Como será que meus filhos me veem? Tenho o direito de privar meus filhos de manter convivência com o outro genitor? Com a família do outro Genitor? Será que estou cometendo um ato de tortura em meus filhos?

Cada dia deve se refletir a este respeito, e certamente, encontrará em você mesmo um ato que inconscientemente pratica e que pode estar resultando em alienação parental.

Pensem. O que vocês desejam aos seus filhos?

Paulo Eduardo Akiyama
Economista, palestrante, sócio do escritório Akiyama Advogados Associados, atua com ênfase no direito de família