Nos passos de Deodoro

Em 15 de novembro comemora-se a Proclamação da República. A data representa o fim da monarquia, regime que conduziu a nação de 1822, ano da Proclamação da Independência, a 1889, com a deposição de D. Pedro II, e a subida ao poder do primeiro presidente republicano, o alagoano marechal Deodoro da Fonseca. Os 126 anos da República tem uma dimensão histórica ligada ao contexto da época. Ela veio coroar um movimento que nasceu com mais força a partir do fim da Guerra do Paraguai (1870).

Foram, então, mais de 20 anos de lutas políticas e desgaste da monarquia. O próprio imperador D. Pedro II, que era muito culto, entendia o processo por que o mundo passava, mas não acreditava que seria deposto. O modelo norte-americano de estados federativos era uma das reivindicações das várias regiões do país, dependentes das decisões da capital, o Rio de Janeiro. Se isso hoje já seria o caos, imagine naquela época, com os meios de comunicação escassos.

O café também foi responsável pelas mudanças sociais e econômicas que ocorreram no período. Transformando-se na principal riqueza nacional, devido à exportação, a cafeicultura motivou a rápida ascensão da aristocracia paulista, representada pelo Partido Republicano Paulista (PRP). Outra classe em ascendência, pelo menos em número, os militares – representados por Benjamim Constant, Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto – viam na república uma alternativa para alcançar o poder e fazer as reformas necessárias de que a sociedade da época tanto necessitava. Foi nesse contexto caótico que a República surgiu para modernizar um país que precisava dar vazão aos novos ares do fim do século XIX.

O advento da República reforçou um novo papel para a sociedade brasileira, que ganhou identidade própria, ao cortar os laços com a corte portuguesa. Ganhou, assim, uma nação com características peculiares, mas que, apesar do tempo, ainda não conseguiu desenvolver a plena cidadania.

Mais de um século depois, a República vive uma série crise política, com denúncias de corrupção que a cada dia inundam páginas dos periódicos e dos telejornais. A data comemorativa deve servir de inspiração para que se cumpra no país uma agenda mais adequada aos desejos da população. Que se olhe para a economia, corrigindo percursos e metas, sem esquecer os avanços sociais. Que se priorize a educação como mecanismo capaz de alavancar o desenvolvimento do país, transformando-o em uma nação verdadeiramente sustentável.

Luiz Gonzaga Bertelli – Presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH).