No Dia Internacional do Músico, artistas avaliam as conquistas e dificuldades da profissão

Eles estão presentes no nosso dia-a-dia, carregam em si influências poéticas diversificadas e são condutores de alegria, saudosismos e os mais variados sentimentos por meio de uma arte sublime: a música.
Neste 22 de novembro, dia de Santa Cecília, é comemorado também em todo o país o Dia Nacional do Músico. Em Mossoró, existe uma efervescência musical, sempre em ebulição, tendo em vista os muitos bares que utilizam a chamada “música ao vivo”, onde são contemplados os gêneros mais diversificados.

O músico Diego Nunes, fala que apesar das dificuldades enfrentadas na profissão, ainda há muito o que celebrar: “Há sim o que se comemorar, uma vez que o celeiro de artistas vem crescendo, se renovando e cada vez mais se profissionalizando. Apesar da cultura das massas, influenciada pela mídia, ultimamente só abraçar os estilos mais difundidos no momento, há espaço para músicos trabalharem em todos os gêneros, aqui na cidade”.

O presidente da Associação dos Músicos de Mossoró (AMAM), José Carlos Lins de Matos, diz que precisa haver uma organização por parte da classe: “Há uma demanda para músicos de todos os gêneros na cidade, mas tem os músicos tem que se organizar, buscar a sua valorização, principalmente no que diz respeito a cachês”, comentou.

Edmilson Nascimento, um dos músicos mais atuantes da cidade, diz que falta uma melhor representatividade da classe, mas que a música está acima das dificuldades: “A música é uma parte muito importante da minha vida. Não sei como eu seria se não fosse músico, e agradeço a Deus por ter me dado esse dom”, disse.

A cantora Nida Lira também falou da necessidade de ter um entidade da classe mais forte: “Algumas reivindicações permanecem, como valor de cachês, couver que não vai para o artista, qualidade do som oferecida pelos bares, os espaços que contratam não tem licença ambiental. O Sindicato dos Músicos Profissionais do Estado não atua em Mossoró e isso ocasiona falta de garantias e direitos no exercício da profissão, entre outros problemas”.

Apesar disto, Nida diz que a cidade vive um momento de expansão no setor: “O bom é que mesmo diante de um cenário econômico com dificuldades, Mossoró continua expandindo os serviços de bares e restaurantes, o que amplia espaços para que os músicos continuem exercendo seu ofício”.

Alan Barbosa, de uma geração mais nova de cantores da noite, diz que há o que comemorar, mas muito o que lamentar também: “Nós comemoramos o fazer da arte. Não comemoramos, no entanto, o descaso público para com o músico. Não comemoramos a política de eventos que sempre vence a política das artes. Não comemoramos o desamparo e o desprezo com que nos presenteiam os gestores”.

O baterista Arnaldo Parron, que tocou com nomes importantes da nossa Música Popular Brasileira, como Raul Seixas e Belchior, falou exclusivamente para O Mossoroense sobre a profissão em nível nacional: “Não há o que se comemorar no Brasil, as dificuldades são todas, se você não tem um patrocinador a coisa se tornam muito difíceis. Mesmo assim eu não desisto nunca, eu amo a música”.

Para celebrar a data, artistas locais realizam confraternização hoje no Clube Carcará

A partir do meio dia de hoje, músicos mossoroenses de todos os gêneros se encontrarão no Clube Carcará a partir do meio dia para celebrar a sua data. Na ocasião será servida uma feijoada e sorteio de brinquedos para.

A festa foi custeada pelos próprios artistas que também pretendem traçar metas para a categoria e planos para o ano seguinte: “Vamos nos encontrar e fazer uma avaliação de nossas conquistas e definirmos metas para 2016”, informou a cantora Nida Lira.

Para Nida, a festa é um momento para festejar o dom: “Comemoramos a coragem, a sensibilidade e o altruísmo de seguirmos este caminho, apesar de todas as dificuldades”, comentou.