Ney Lopes: “União Brasil” e a terceira via

Ney Lopes – jornalista, advogado e ex-deputado federal – [email protected]

Afinal, aprovada a fusão do DEM e PSL. Faltam apenas algumas formalidades junto à Justiça Eleitoral.

A indagação que surge é qual a dimensão das mudanças no cenário eleitoral, que resultarão dessa fusão.

O que se percebe é que a nova sigla “União Brasil” nasce rachada, pois segundo o secretário geral ACM Netto, cerca de 40% dos parlamentares deverão debandar.

Para quem conhece a política nacional é notório que na “União Brasil” tem muito cacique, para poucos índios. Muitos mandando e poucos obedecendo; muitos falantes e poucos ouvintes.

Na última semana, o presidente do novo partido, deputado Luciano Bivar, deu entrevista ao GLOBO, que precisa ser lida com atenção, por ser muito significativa. Ele deixou claro certos pontos, que têm projeção no cenário político futuro do país.

Vejamos o que disse:

“Os filiados à sigla terão que se adaptar ao programa partidário ou tomar seus “caminhos”.

“Não diria que queremos ser a terceira via. Queremos representar um candidato que com certeza vai para o segundo turno.

Sobre magoas de Bolsonaro disse “por que ter mágoa de alguém que nunca me causou nenhum dano material?”

“Isso não significa que a gente tenha mágoa um do outro. Eu não tenho mágoa”

“Nunca é tarde para pedir perdão, de reparar meus caminhos. Então a vida é assim”

As declarações do deputado Luciano Bivar sinalizam, que até Bolsonaro poderá ser apoiado pelo União Brasil, o que já transparece na acomodação permitida de bolsonaristas e não bolsonaristas, convivendo na mesma sigla.

A essa altura do momento político brasileiro, uma terceira opção à presidência da República exigiria a convicção de um partido determinado e convencido desse objetivo. Somente assim o eleitor daria credibilidade ao nome lançado.

O “União Brasil” deixa claro que não deseja ser essa terceira via. O propósito anunciado pelo seu presidente é chegar ao segundo turno, com qualquer nome que possa se compor.

Anunciado praticamente um “vale tudo”, em busca de composição política.

Nota-se que o partido terá como objetivo eleger bancada federal expressiva, a partir do seu milionário Fundo Eleitoral e buscar uma forma de salvar-se na disputa presidencial, que lhe permita chegar ao segundo turno.

Isso está claro, pelo que afirmou o presidente Luciano Bivar.

Dessa forma, permanece o vazio em busca de uma terceira via, que possa reduzir a tensão entre Bolsonaro e Lula.

“União Brasil” será mais um partido disponível para composições, como os demais do chamado “centrão”atual.

Conclui-se, que a única esperança da terceira via seja o PSD de Gilberto Kassab, que tem se fixado nessa meta, com o nome de Rodrigo Pacheco.

Caso realmente o presidente do Senado inscreva-se no PSD e se lance candidato, ele poderá até ter o apoio da União Brasil.

Trocando em miúdos: União Brasil não se propõe ser a terceira via, mas poderá no futuro apoiar a terceira via.

Se isso ocorrer, será bom para a terceira via afirmar-se eleitoralmente.

Aguardemos.

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