‘Não fui o pai da vitória de Robinson, mas fui o primeiro a pegar na mão dele em Mossoró’

No final da manhã de sexta-feira (30), o presidente da Câmara Municipal de Mossoró, Jório Nogueira (PSD), visitou a redação do O Mossoroense e concedeu entrevista, abordando diversos assuntos. Entre eles, seu futuro político, dificuldades na gestão Francisco José Júnior, necessidade de união no sistema governista, convocação de Larissa Rosado e gestão Robinson Faria em Mossoró. A entrevista é publicada na íntegra:

O MOSSOROENSE – Próximo do fim do primeiro ano à frente da Câmara de Mossoró, qual o balanço do trabalho da atual presidência?
JÓRIO NOGUEIRA – Assumimos a Câmara dia 1º de janeiro deste ano, e encontramos no país muita dificuldade financeira. Mas, começamos a fazer a nossa parte. E, em seis meses, criamos a TV Câmara, para a qual já conseguimos sinal aberto (canal 22) e que em breve estará no ar; estamos lançando a Rádio FM Câmara; criamos uma fundação, da qual tenho o maior orgulho pela homenagem de ter sido denominada Vereador Aldenor Nogueira, meu pai. Instalamos o ponto eletrônico para os servidores da Casa; viabilizamos acessibilidade no prédio do Legislativo, que agora é acessado através de uma rampa, além de um novo elevador, facilitando para cadeirantes e outras pessoas especiais. Fizemos uma reforma simples, porém importante, no plenário da Câmara. Mudamos a tribuna. Prestigiamos os profissionais da imprensa, instalando duas cabines dentro do plenário. Em relação ao 13º salário dos servidores, estão assegurados 40% no meio do ano e os demais 60% em dezembro. Os fornecedores da atual gestão não enfrentam problema de atraso de pagamento. Além de outros avanços, todos, aliás, serão apresentados em um balanço no final do ano. Então, acreditamos que a população entende que a Câmara de Mossoró tem nova cara, que estou cumprindo meu dever como presidente da Casa.

OM – A projeção desse trabalho na presidência lhe motiva a alçar novos voos na política de Mossoró, inclusive, já na eleição de 2016?
JN – Quem é político sempre almeja alcançar voos maiores. Quando cheguei à Câmara de Mossoró, não tinha ambições. Já sou muito satisfeito de ser vereador de uma cidade como Mossoró, tenho orgulho da minha cidade. Sou filho de um homem, do qual me orgulho muito, que é Aldenor Nogueira. Foi vereador, radialista, delegado dos ex-combatentes. E esse orgulho para com a nossa terra, também aprendi com ele… Em relação a novos voos na política, um dia ser candidato a deputado, a prefeito de Mossoró, isso faz parte da política. Não seria justo com o povo dizer que estarei vereador para sempre. Inclusive, nosso trabalho vem ganhando projeção em todo o Rio Grande do Norte. Sou também presidente da Federação das Câmaras Municipais do Estado (Fecam), a qual irradia nosso trabalho para todo o Estado. Temos 128 Câmaras filiadas. Na nossa gestão, já conseguimos filiar quase 40 Câmaras em menos de um ano. Isso faz com que as pessoas pensem que serei, no futuro, provavelmente, candidato a deputado, a prefeito. Porque esse trabalho me credenciou a ter meu trabalho reconhecido em todo o Estado. Agora, o que eu quero hoje? Que possa continuar meu trabalho, exercendo o mandato de vereador, de presidente. E, quando não tiver mais mandato e voltar para casa, ter a consciência tranquila, como tenho, de fazer e ter feito tudo de acordo com a lei.

OM – Então, qual é sua prioridade política?
JN – Sou um militante do PSD, amigo do governador Robinson Faria. E, se um dia, o partido precisar do meu trabalho, seja em 2016 ou 2018, estarei à disposição da legenda. Agora, entendo que o partido hoje tem um candidato a prefeito de Mossoró. Temos o prefeito do PSD, Francisco José Júnior, e acredito que ele vai tentar à reeleição. E, ele tentando essa reeleição, vai ter o apoio do PSD. Jamais disse que seria candidato à Prefeitura, respeito muito o prefeito Francisco José Júnior. Mas, na hora de precisar fazer algumas críticas, não vou me calar. Sou um aliado, não sou um alienado. E o PSD tem que marchar unido, mas de uma forma concreta, e não apenas por discursos na imprensa. Essa união tem que partir das conversas políticas, conversas administrativas. E tenho certeza que, no conjunto, se a gente chegar a um entendimento, com certeza vai melhorar tanto para o partido quanto para a gestão Francisco José Júnior.

OM – Está faltando união no grupo governista?
JN – Estamos precisando de mais conversa, de conversar. Jamais poderia chegar à presidência da Câmara achando que sei de tudo. Preciso de uma boa assessoria, de bons técnicos para auxiliar a gestão e alcançar nossos objetivos e honrar com nossos compromissos. Ninguém consegue fazer o trabalho sozinho. Quem achar que faz vai se perder nos caminhos do futuro. Então, acredito que precisa, sim, o nosso partido, a administração de Silveira precisa conversar mais, e precisa que a gente tenha mais conhecimento para que possamos ajudar na administração Francisco José Júnior e nas articulações políticas.

OM – A gestão Francisco José Júnior precisa de ajustes?
JN – Precisa. Não posso dizer que está tudo perfeito, porque toda a administração possui suas falhas. Mas, o gestor precisa identificar onde estão essas falhas maiores. Parabenizar aquilo que está dando certo, e melhorar aquilo que não está dando certo, e até mudar. Então, acho que o governo precisa de ajustes. O prefeito Francisco José Júnior entende que sua equipe é boa, que sua equipe é técnica, e eu até concordo. Mas, acho que a equipe técnica precisa entender que precisa haver também, na gestão pública, a equipe política, para poder se aproximar e, aí, a gente chegar a um entendimento.

OM – O Governo Robinson Faria necessita estar mais presente em Mossoró?
JN – A única coisa que atrapalhou, e Mossoró teve vários outros problemas, foi a greve prolongada na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern). Os professores estavam buscando seus direitos e o cumprimento de compromisso assumido por Rosalba Ciarlini. E o governador percebeu que não poderia atender devido às dificuldades financeiras. O governador Robinson é bem intencionado, desafio qualquer político do Estado a duvidar da palavra de Robinson. Foi um dos melhores presidentes da Assembleia Legislativa e vai se destacar também como governador. Ele agora anunciou reforma nos hospitais regionais. E o Hospital Tarcísio Maia estará incluído, com certeza, para resolver um dos principais problemas de Mossoró. Robinson tem muito ainda a oferecer à cidade de Mossoró. Passou uns dias ausente da cidade, mas tenho certeza que continuará andando em Mossoró.

OM – De que forma ele reconhece a importância de Mossoró para sua vitória ao Governo do Estado?
JN – Como um conjunto de coisas. Ele sempre deixa bem claro que Mossoró foi muito importante na sua vitória. A rejeição de Henrique Alves ajudou a Robinson ser governador, o apoio do PSD de Jório Nogueira, de Tia Cícera, e de todos aqueles filiados ao PSB ajudou ao governador. Não temos um pai para a vitória de Robinson Faria em Mossoró. O pai não é uma pessoa só. O pai dessa vitória de Robinson é o sentimento popular. O povo entendeu que queria votar em Robinson. Não fui o pai da vitória de Robinson, mas fui o primeiro a pegar na mão dele. Toda Mossoró sabe, e ele sempre deixa bem claro que, no momento mais difícil, nós estávamos juntos. Eu fui o primeiro, e depois outros chegaram. O prefeito foi muito importante, já era amigo dele… Então, não existe que Jório deu a vitória, o prefeito deu a vitória. Quem elegeu o governador foi o sentimento popular, que fez dele um candidato a governador muito bem votado na cidade de Mossoró.

OM – O senhor concorda que o Hospital da Mulher seja fechado e os serviços transferidos para a Maternidade Almeida Castro, como se tentou?
JN – Conversei esta semana com uma comissão de enfermeiros do Hospital da Mulher. Vereadores da oposição chegaram a dizer que, segundo informações, o Hospital iria fechar. Pedi cautela aos vereadores, para não causar nenhum tipo de “terrorismo”, informando uma coisa que não tinha certeza, havia só um boato. E a primeira coisa que fiz foi chamar essa comissão de enfermeiros, liguei para a Secretaria Estadual de Saúde pedindo informações se era intenção do governador fechar o hospital. Imediatamente fomos informados de que já havia uma nota do governador esclarecendo a Secretaria de Saúde dizendo que não iria fechar, e os enfermeiros ouviram através do sistema viva-voz do telefone. Depois, em contato com a assessoria de comunicação do Governo do Estado, fomos informados e que havia uma nota, do dia 16 de outubro, afirmando que não haveria fechamento. Mas, o que acho e quero: que o Hospital da Mulher preste um bom serviço, que cada dia melhore, que o governador possa melhorar a questão de equipamento, o atendimento. Então, acho que o Hospital da Mulher merece um melhoramento, e não um fechamento. E o governador já deixou bem claro que o Hospital da Mulher não vai fechar.

OM – Como a Câmara está avaliando a decisão da atual gestão de Mossoró de antecipar recursos de royalties, que seriam recebidos no próximo governo?
JN – Existe o comentário de que o prefeito iria antecipar os royalties. Procurei saber se esse projeto já se encontrava na Câmara, e fui informado pelo primeiro-secretário que a proposição não se encontra na Casa, não foi protocolada. Então, se não tenho conhecimento sobre o projeto, não posso falar sobre ele. Não sei por que a oposição fala do projeto, como se tivesse conhecimento e tivesse ele em mãos, e já passando para a sociedade. O que escuto, através da oposição, é que o prefeito vai fazer um pedido de antecipação de 100%, e que vai prejudicar a cidade por quatro anos. Tenho uma informação mais segura, que será de 10%, esse é o percentual que o prefeito mandará para análise da Câmara. Uns dizem que serão R$ 100 milhões, outros dizem que são R$ 40 milhões. Então, essas informações não estão batendo. E outra coisa que quero deixar bem claro: se for 10%, e esse dinheiro entrar nos cofres da Prefeitura para resolver problemas em atrasos para empresas terceirizadas, pagar os fornecedores, que possam trazer mais medicamentos, e que o prefeito não deixe atrasar a folha do servidor, não há necessidade de a Câmara ser contrária. Vamos esperar o momento certo, vamos conversar, e analisar ponto por ponto, considerando qual o benefício dessa antecipação dos royalties para a cidade de Mossoró.

OM – Por que o senhor defende a convocação da suplente de deputado estadual Larissa Rosado à Assembleia Legislativa?
JN – Tenho carinho imenso, principalmente, pela nossa cidade. E nunca torci para que Mossoró perdesse as cadeiras que possuía na Assembleia Legislativa. Tivemos surpresa quando, se abriram as urnas, e Larissa não foi reeleita deputada. Fiquei triste com isso. Mesmo eu votando no deputado Galeno Torquato.

OM – E por que o senhor votou nele, afinal?
JN – Achava que Mossoró elegeria pelo menos dois deputados estaduais: Larissa, sem dúvida, e um outro nome. Eu tinha dúvida na reeleição de Leonardo Nogueira. E Galeno seria mais um nome para Mossoró. Além desses dois deputados, teria esse terceiro nome que Mossoró poderia cobrar na Assembleia Legislativa, que é o deputado Galeno, que teve dois mil votos na cidade de Mossoró. E ainda tivemos a felicidade de eleger um deputado vizinho, que é o deputado Souza, de Areia Branca. Portanto, poderíamos contar com Larissa, um outro nome de Mossoró, deputado Galeno e o deputado Souza. Teríamos esses quatro deputados, principalmente Larissa, que mora na cidade. Então, defendo que Mossoró não pode deixar de ter, pelo menos, um nome na Assembleia. Porque o resultado de 2014 foi uma derrota para a cidade. Como Larissa é a primeira suplente de uma coligação que tem 16 deputados. Era a segunda, mas com a morte do deputado Agnelo Alves, infelizmente, e a posse de Vivaldo, passou a ser a primeira. E qual seria a forma de premiar Mossoró? O caminho mais fácil, está à porta, é só uma conversa: o governador Robinson levaria para o secretariado um deputado com perfil técnico, inclusive há alguns que já foram secretários, e aí Mossoró receberia de volta o mandato de deputado estadual, que seria Larissa Rosado. E estaríamos marcando um gol de placa para Mossoró. Tenho certeza que as pessoas iriam agradecer ao governador Robinson, iriam parabenizá-lo por essa atitude, porque Mossoró teria um nome na Assembleia pra gente cobrar. Então, acho que isso beneficia Mossoró, o governador Robinson ganharia com isso, porque receberia na sua base uma deputada que ele conhece, que é competente. Portanto, o nome de Larissa é ideal para voltar à Assembleia em nome de Mossoró, por isso, defendo essa bandeira. Acho que Larissa tem que voltar imediatamente. É a minha opinião pessoal, porque a cidade e o povo de Mossoró ganhariam com isso.

OM – Há divergência no movimento das Câmaras Municipais com a criação da Uvern (União dos Vereadores do RN). Essa nova entidade enfraquece a Fecam?
JN – A Fecam trabalha diretamente com os presidentes de Câmaras, e cada presidente se entende com os vereadores da sua cidade. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. A Uvern faz um trabalho diretamente com o vereador, não faz com o presidente de Câmara. Não há divisão. É tanto que a Fecam já participou de vários eventos da Uvern. Fui a posse, a evento, a Uvern participa de eventos da Fecam. Nunca entendi porque tentaram fazer essa briga entre Fecam e Uvern. Inclusive, existe uma sala à disposição da Uvern na sede da Fecam, em Natal. Agora, o que queriam dois ou três vereadores que se infiltraram a Uvern? Eles tinham problema pessoal com o prefeito de Mossoró, tiveram a intenção de prejudicar a Fecam, já que sou o presidente e ligado ao prefeito, criando a Uvern para bater de frente com a Fecam. Só que quem teve essa intenção se deu mal. Porque demonstramos , a Fecam e a Uvern, estamos unidos para prestar serviço tanto às Câmaras quanto aos vereadores do Rio Grande do Norte. E a Fecam até aumentou o número de filiados. Então, esse movimento só fez fortalecer a Fecam, e a Fecam fortalece a Uvern.

REGY CARTE E
MÁRCIO COSTA