‘Não admitirei político usar cargo dado pelo povo para satisfação de interesses pessoais’

Na semana em que se comemorou o Dia Internacional de Combate à Corrupção, quarta-feira (9), uma declaração do juiz Herval Sampaio Júnior tem potencial para causar furor no meio político-administrativo em Mossoró. Em entrevista ao programa Cidade em Debate, ontem de manhã, na Rádio Rural de Mossoró (AM 990 KHz), o magistrado afirmou que na próxima semana poderá oferecer denúncia ao Ministério Público contra políticos no exercício de mandato público em Mossoró.

Herval Sampaio deixou claro que acompanha de perto suspeitas de benefícios pessoais por parte de ocupantes de cargos eletivos na cidade. “Não admitirei políticos quererem usar o cargo, a estrutura que tem, dada pelo povo e para atuar em nome do povo, para satisfação de interesses pessoais não-republicanos”, afirmou.

O juiz avisa estar atento: “Se, por ventura, eu verificar, enquanto cidadão e no exercício do meu cargo, esse tipo de persistência, eu irei evidentemente ao Ministério Público. Irei fazer a denúncia que entendo cabível, porque não admito”, afirmou.

Herval Sampaio explica que, além de atribuição enquanto magistrado, a posição se trata de um princípio pessoal. “Essa é uma convicção minha, não admito nunca que alguém utilize cargo público para satisfação de interesses pessoais”, reforçou.

Essa convicção, segundo ele, continua se materializando de forma permanente no exercício do seu trabalho de juiz, através de diversos procedimentos, como ofícios ao Ministério Público, à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e outras instituições e autoridades.

“Não fico calado em nada do que eu sei e do que acontece no exercício da minha profissão quer seja no cargo de juiz, quer seja no cargo de diretor do Fórum. E desafio quem quer que seja dizer que eu acoberto qualquer ilegalidade. Que faça a denúncia e coloque no papel, porque muita gente vai ao meu gabinete fala, fala, mas não quer colocar no papel. Que coloque no papel para dar início ao procedimento e encaminhar ao Ministério Público”, comentou.