Mosquito transmissor da dengue está mais resistente, diz pesquisa

De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Butantan, o mosquito causador da dengue e outras doenças como a febre chikungunya, o Aedes aegypti, está mais resistente ao clima ameno, podendo ser encontrado durante todo o ano e não apenas em tempo de temperatura elevada. Em Mossoró, embora não tenha sido confirmado nenhum caso da doença no mês passado, a descoberta gera preocupação para a evolução do mosquito e necessidade de combate durante todo o ano.

Segundo a coordenação do Programa Municipal de Combate à Dengue, desde o mês de junho deste ano, Mossoró tem apresentado queda nos números de casos confirmados de dengue. No mês passado, não houve nenhuma notificação e nem confirmação de dengue no município. Já o mês de outubro do ano passado apresentou 26 casos notificados e dois confirmados.

O município teve, no mês de setembro deste ano, 28 notificações e seis casos confirmados de dengue. Entretanto, em agosto, embora tenham sido notificadas 25 suspeitas da doença, nenhum paciente recebeu diagnóstico positivo.

Se comparado ao mesmo mês do ano passado, quando houve 31 notificações e 10 confirmações, o resultado à redução de pessoas detectadas com dengue é de 100%. No entanto, o combate ao mosquito não deve ser abandonado pela população.

“Desde o início do ano, muitas ações estão sendo promovidas em toda a cidade pelas equipes de saúde para combater a proliferação do vetor da doença, o mosquito Aedes aegypti, como, por exemplo, a distribuição de tampas para tonéis e materiais educativos”, declara, em nota, a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde.

Em julho deste ano, Mossoró foi escolhida para integrar estudo internacional sobre a dengue, realizado pelo Ministério da Saúde e pela Organização Panamericana de Saúde. O programa enviou equipes para treinamento dos servidores municipais de saúde na avaliação de medidas preventivas de epidemia da doença conforme fatores climáticos e indicadores regionais de notificação e confirmação.

Somente 10 estados brasileiros receberão as equipes da pesquisa internacional, realizada em 10 países. No Rio Grande do Norte, o município de Natal também será analisado. As duas cidades foram escolhidas devido ao alto índice de casos de dengue registrados nos últimos anos.

Vacina contra a dengue pode chegar ao mercado em 2018

Em nota, o Instituto Butantan informa que, embora o Aedes aegypti esteja mais forte, o vírus causador da dengue, que as fêmeas do mosquito carregam, não apresentou variações. Hoje, há quatro tipos de vírus da dengue e o Instituto está desenvolvendo vacina contra as variações da doença. A imunização está sendo testada pelas equipes do Instituto, em São Paulo, e pode chegar ao mercado em 2018.

“A expectativa é ver se a partir de 2018 essa vacina já estaria disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para que a população pudesse ser vacinada gratuitamente”, disse o diretor de Ensaios Clínicos do Instituto Butantan, Alexander Precioso.

A vacina com o vírus da dengue enfraquecido começou a ser elaborada há dois anos pelos pesquisadores do Instituto Butantan e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Usp). Nos testes, a vacina foi aplicada em 180 pessoas e as equipes buscam voluntários para testar a dose única da imunização, na Faculdade de Medicina da USP.

No estudo realizado pelo Instituto Butantan sobre o vetor da dengue, além da maior resistência a baixas temperaturas, foram encontrados mosquitos com tamanho e formato de asas diferentes, modificações fruto de evolução rápida do Aedes aegypti.