Ministério da Saúde aponta Mossoró em situação de risco de dengue

O resultado do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) indica 199 municípios brasileiros em situação de risco de surto de dengue, chikungunya e zika, entre eles Mossoró. Isso significa que mais de 4% das casas visitadas nestas cidades continham larvas do mosquito.

Os dados do novo LIRAa foram divulgados ontem pelo ministro da Saúde, Marcelo Castro, em Brasília. Além do levantamento, também foram divulgados a campanha de combate ao mosquito, o balanço da dengue e chikungunya, além da investigação dos casos de microcefalia.

Além das cidades em situação de risco, o LIRAa identificou 665 municípios em alerta, com 1% a 3,9% dos imóveis com focos do mosquito, e 928 com índices satisfatórios, com menos de 1% das residências com larvas do mosquito em recipientes com água parada. O levantamento identificou a presença do mosquito Aedes albopictus, que pode também transmitir a chikungunya, em 262 municípios.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Índice de Infestação Predial (IIP) de Mossoró é de 7,4. No Rio Grande do Norte, além de Mossoró, estão em risco de alerta de surto de dengue os municípios de Caicó, Campo Redondo, Nova Cruz, Santa Cruz, Cruzeta, Currais Novos e São Miguel.

Realizado em outubro e novembro, o LIRAa teve adesão recorde para este período do ano, com 1.792 cidades participantes, aumento de 22,4% se comparado ao número de municípios em 2014. A pesquisa é um instrumento fundamental para o controle do Aedes aegypti. Com base nas informações coletadas, o gestor pode identificar os bairros onde estão concentrados os focos de reprodução do mosquito, bem como o tipo de depósito onde as larvas foram encontradas.

Este ano foram notificadas em Mossoró 1.996 suspeitas de dengue, sendo 1.222 casos confirmados. A febre chikungunya teve 273 suspeitas e nenhuma confirmação. Já em relação ao diagnóstico do zika vírus, o setor de agravos da Vigilância Municipal à Saúde diz que não é possível informar quantos casos foram notificados, mas nenhum foi confirmado pelo Ministério da Saúde (MS).

Tonéis e potes concentram 98% dos focos de dengue no município

De acordo com informações da coordenação de combate à dengue da Vigilância Municipal à Saúde, uma média de 98% dos focos de Aedes aegypti identificados em Mossoró este ano estavam localizados em tonéis e potes usados para armazenamento de água. As equipes alertam para a necessidade de se redobrarem os cuidados no combate ao mosquito, que transmite ainda a febre chikungunya e o zika vírus, suspeito de ter causado microcefalia em bebês no Nordeste este ano.

“Vale ressaltar que Mossoró não teve nenhum caso de zika vírus confirmado, mas nossa preocupação com o vetor da doença, o Aedes aegypti, aumenta ainda mais devido a possível correlação entre o zika vírus e casos recentes de microcefalia. O mosquito antes se restringia às épocas de chuvas, mas agora ele está adaptado e pode ser encontrado o ano todo na cidade”, afirma a coordenadora municipal de combate à dengue, Teresa Cristina.

A coordenadora diz que, atualmente, Mossoró conta 150 Agentes de Combate a Endemias (ACE) dedicados aos cuidados contra o Aedes aegypti,orientando a população com relação aos cuidados para evitar água parada em casa. Ela ressalta a importância de ações como tapar bem caixas de água e recipientes de armazenamento de água, além de lavar, ao menos uma vez por semana, potes e tonéis.