“Mapa da Morte” contabiliza 21 óbitos em presídios do Rio Grande do Norte

Números oficiais divulgados durante a semana pela Coordenadoria de Análises da Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc), órgão do governo estadual, apontam que somente este ano, 21 detentos foram encontrados mortos em condições suspeitas dentro de instituições prisionais do Rio Grande do Norte. Os números desafiam as forças de inteligência da segurança pública, que não consegue conter as mortes de presos e refletem o poder das facções criminosas que atuam dentro e fora das unidades prisionais.

Para se ter uma ideia do caos que se instalou nas unidades prisionais potiguares, a Coordenadoria Administrativa Penitenciária Estadual (Coape), que é responsável diretamente pelas prisões do RN, confirmou que das 21 mortes, 19 delas foram registradas em menos de três meses. “O Estado perdeu o controle da situação dentro dos presídios do RN. Medidas de contenção têm que ser tomadas para evitar outras mortes em presídios potiguares”, disse o juiz corregedor de Natal, Henrique Baltazar, titular da Vara das Execuções Penais da capital.

Facções criminosas
Os números da violência dentro dos presídios do RN se tornaram alarmantes após os conflitos entre o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Sindicato do RN, facções criminosas rivais, que atuam dentro e fora de unidades prisionais, se acentuarem no Rio Grande do Norte.

O estopim para os conflitos das organizações criminosas, de acordo com a Polícia Civil, foi o assassinato de quatro presos, no dia 16 de agosto, mortos com requinte de crueldade, dentro da Cadeia Pública Promotor Manoel Alves Neto, na cidade de Caraúbas. Na ocasião, detentos membros do PCC invadiram as celas da triagem onde os presos estavam e os mataram a golpes de facas artesanais. A morte dos quatro detentos teria sido uma retaliação ao assassinato de um preso, ocorrido alguns dias antes na Penitenciária Estadual Desembargador Antônio da Nóbrega Pereira, o Pereirão da cidade de Caicó, ocasião em que o Sindicato do RN teria assumido a autoria.

“Com as mortes de presos sendo atribuídas a facções criminosas, passou-se a ter uma supervalorização de tudo que acontece nas prisões por parte de alguns segmentos da imprensa, que só serve para instigar as facções”, disse um dos membros dos direitos humanos da OAB.

Polícia Civil investiga mortes e acredita em assassinatos nas vítimas de enforcamentos

Investigações da Polícia Civil revelam que a maioria das mortes de presos por enforcamento, dentro das celas, pode ter sido homicídio e não suicídio. Na visão dos investigadores, os crimes, o conflito entre as facções seria o principal motivo dos suicídios forjados.

“Quando um preso é encontrado morto, dependurado pelo pescoço, em uma cela onde divide espaço com outros detentos, há grandes chances de ele ter sido assassinado pelos colegas. Isso tem se tornado comum nas prisões do Estado, pois é uma forma do grupo, autor da morte, não aparecer. Porém, através de exames periciais, temos a comprovação de que quando o detento foi dependurado já estava morto”, explicou um dos investigadores da Delegacia Especializada em Homicídios (Dehom) de Natal.

Somente na semana passada, três detentos foram encontrados mortos dentro de unidades prisionais do Rio Grande do Norte. Os casos de assassinatos ou mortes suspeitas, registrados pela Polícia Civil, ocorreram em unidades prisionais que se encontram interditadas pela Justiça. Atualmente, 14, das 33 unidades prisionais de responsabilidade do Governo do RN estão impedidas de receber presos.

Relação de presos mortos em presídios do RN

Outubro

– Francisco Marques dos Santos (Cadeia Pública de Nova Cruz, em Nova Cruz)
– Magnum Guedes de Moura (Presídio Raimundo Nonato Fernandes, em Natal)
– Clésio Barbosa de Souza Oliveira (Penitenciária Estadual de Alcaçuz)
– Joel Rodrigues da Silva (Presídio Raimundo Nonato Fernandes, em Natal)
– Cryslon Carlos Lima (CDP de Ceará-Mirim, em Ceará-Mirim)
– José Wilde da Silva (Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta)
– Edson Nascimento da Costa (Presídio Raimundo Nonato Fernandes, em Natal)
– Alexandre Ferreira Freitas (Presídio Raimundo Nonato Fernandes, em Natal)
– José Fagner Tibúrcio (Penitenciária Estadual do Seridó, em Caicó)
– Sairo Luan Leite (Penitenciária Estadual do Seridó, em Caicó)
– Jefferson Vieira Lopes da Silva (Penitenciária Agrícola Mário Negócio, em Mossoró)

Agosto

– Denison Costa e Silva (CDP do Potengi, em Natal)
– Cassiano Henrique Galvão (Presídio Raimundo Nonato Fernandes, em Natal)
– Fábio Júnior da Silva Patrício (Penitenciária Estadual do Seridó, em Caicó)
– Emerson Santos da Luz (Presídio Rogério Coutinho Madruga, em Nísia Floresta)
– Antônio Edigleidson de Souza (Cadeia Pública de Caraúbas, em Caraúbas)
– Genilson Bezerra de Oliveira (Cadeia Pública de Caraúbas, em Caraúbas)
– Gladstone Clementino Araújo (Cadeia Pública de Caraúbas, em Caraúbas)
– João Paulo Silva Dias (Cadeia Pública de Caraúbas, em Caraúbas)
– Alexsandro Teodósio da Silva Pessoa (Presídio Rogério Coutinho Madruga)

Fevereiro

– Eliel Heberton da Silva (Ceduc de Caicó, em Caicó)