MÃE, ETERNAS LEMBRANÇAS

* FÁTIMA CASTRO

Faz tempo que você partiu, tendo ainda muito que viver.

Eu era jovem quando fiquei órfã de pai e logo depois você se foi, deixando-me órfã outra vez. Eu fiquei muito tempo a sofrer, relembrando o último adeus.

Mas a vida seguiu em frente e hoje são muitos seus descendentes. Você já é tetravó nesse intervalo de tempo.

Pois é, eu cresci sobrevivi, sou mãe, avó, e meus cabelos brancos gritam a marca do tempo. Sem tua presença a caminhada não foi fácil para ninguém. Foram muitos desafios. Eu tropecei, caí, levantei e calei muitas dores sem poder falar, errei procurando me encontrar.

Porém, entre erros e acertos continuarei te amando enquanto a vida me levar.

Guardarei sempre comigo as doces lembranças; teu sorriso, tua garra, dedicação e amor.

Ainda sinto o cheiro do bolo de milho e o cuscuz feito no prato envolvido num pano.

No meu relembrar, estou a ver os teus cabelos lisos sempre presos com um jeitinho dos lados, seu vestido florido a contornar o corpo da cabocla meiga e bonita, sofrida pelos percalços da vida, mas nunca deixou de ser amável e querida.

Sabe mãe, quando alguma coisa me assusta, bruscamente meu grito ecoa no ar a te chamar. Quando tenho pesadelo e me vejo assustada, sentada na cama, percebo que no meu grito de socorro foi mamãe que chamei. Peço a Deus pra te iluminar.

Nos meus sonhos e realizações a fada rainha é você, que me ensinou a essência de viver e amar.

Mãe será sempre mãe e sempre seremos eterna criança ao pronunciar a palavra MAMAÊ.

 

* Fátima Castro é graduada em Direito