Luta contra o mosquito Aedes aegypti envolve população e poder público

O Brasil passa momentos nunca antes registrados na área da saúde devido ao surgimento de novas doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, além da já conhecida e temida dengue: a febre chikungunya e o zika vírus. Na luta contra o mosquito, autoridades de saúde têm reafirmado não só a necessidade de ações pelos profissionais de saúde, mas, sobretudo a importância da atuação da população no combate aos focos do mosquito.

Em Mossoró, são 150 Agentes de Combate a Endemias (ACE) atuando na zona urbana. Porém, toda a zona rural do município está descoberta. De acordo com a coordenadora municipal de combate à dengue, Teresa Cristina, medidas como a cobertura de tonéis e reservatórios de água são imprescindíveis na prevenção à proliferação do mosquito.

“A melhor forma de combate ao Aedes aegypti é sempre a prevenção. Orientamos as pessoas a deixarem os reservatórios bem cobertos e lavá-los uma vez por semana. É preciso também estar atento para evitar acúmulo de água no lixo, em plantas e até na bandeja da geladeira. Se cada um fizer a sua parte podemos diminuir os casos de dengue, febre chikungunya e do zika vírus”, afirma a coordenadora.
Teresa Cristina conta ainda que uma média de 80% dos focos do mosquito identificados pelo agentes de endemias são encontrados em tonéis e potes nas residências. Ela conta que medidas caseiras propagadas como eficazes para matar a larva do mosquito não têm resultados satisfatórios comprovados.

Ela cita, por exemplo, que o uso de água sanitária nos reservatórios para impedir a proliferação do Aedes aegypti só surte efeito positivo se usado em proporção muito alta, de 50% do volume.

“Não existe nenhuma substância que possa ser colocada na água que vá impedir o mosquito de depositar os ovos. Hoje, o que há é o larvicida, de uso controlado pelos ACE e usado para matar as larvas do Aedes aegypti. Uma boa alternativa para evitar o aparecimento do mosquito em plantas é usar bastante borra de café ou areia para impedir o acúmulo de água”, orienta a coordenadora.

Este ano, o Brasil bateu recorde de casos de dengue e ainda na quantidade de pessoas mortas em decorrência da doença. Dados do boletim epidemiológico de dengue do Ministério da Saúde mostram que, de 4 de janeiro a 26 de setembro foram notificados 1.463.776 casos prováveis da doença no país, maior número desde o ano de 1990, quando o levantamento começou a ser feito.

O recorde anterior de notificações de dengue foi registrado no ano de 2013, quando 1.452. 489 pessoas foram infectadas. O montante de casos nos nove primeiros meses de 2015 já é quase o triplo do registrado pelo MS no mesmo período do ano passado: 524.441 casos em todo o Brasil.

Complicações geradas pelo zika vírus acendem alerta no país

Antes encarada como uma patologia inofensiva, o zika vírus, transmitido pela picada das fêmeas do mosquito Aedes aegypti, tem gerado ainda mais repercussão e preocupação da população e autoridades da saúde devido à relação comprovada pelo Ministério da Saúde (MS) com a onda de casos de bebês com microcefalia e, mais recentemente, a síndrome de Guillain-Barré.

Conforme divulgou a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), Mossoró registrou 10 casos de bebês com microcefalia relacionada ao zika vírus este ano. Em todo o Estado, já são 106 casos notificados de crianças que nasceram com circunferência craniana menor que 32 centímetros.

Outra doença rara que tem se manifestado com maior frequência e que teve a relação com o zika vírus confirmada é a síndrome de Guillain-Barré, que atinge o sistema nervoso e provoca fraqueza muscular generalizada, podendo impedir o paciente até mesmo de deglutir ou respirar, levando-o à morte.

A síndrome se manifestava raramente em Mossoró, com o último caso confirmado no ano de 2008. No entanto, de acordo com o médico Liginey Lino de Oliveira, o Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM) já recebeu oito pacientes diagnosticados clinicamente com a síndrome nos últimos sete meses.

“Percebemos aumento nos casos de pacientes com a síndrome de Guillain-Barré diagnosticada clinicamente, mas não foi possível fazer a sorologia porque já haviam passado do pico de manifestação da doença. Esses pacientes recebem no HRTM a imunoglobulina e passam por tratamento longo. É preocupante o aumento nos casos”, declara o médico.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde reforça a necessidade de combate ao Aedes aegypti diante do aumento de casos de complicações de doenças transmitidas pelo mosquito. A pasta divulgou ainda que a população pode buscar esclarecimentos, além de fazer denúncias de possíveis focos do mosquito pelo telefone (84) 3315-4833, do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), das 8h às 17h.

“A dengue, chikunguya e zika vírus, esta última com os surtos da microcefalia e síndrome de Guillain-Barré, podem ser evitados com o combate ao seu vetor: o vilão Aedes aegypti. A melhor forma de evitar a proliferação do mosquito é por meio da prevenção, que precisa receber reforço de toda a sociedade e também do poder público urgentemente”, declara a assessoria de comunicação da pasta.

Ciclo de vida do mosquito dura 30 dias

De acordo com o Instituto Oswaldo Cruz, o Aedes aegypti é originário do Egito, na África. O mosquito chegou ao Brasil no século XVI através dos navios de escravos. No entanto, hoje a variação que circula no país é fruto ainda do cruzamento com espécies de países como Cingapura. O inseto de cor café ou preta e com listras brancas mede cerca de 1 centímetro e vive por 30 dias, atingindo a maturidade após sete dias como larva.

O Aedes aegypti costuma estar mais ativo no início da manhã e ao final da tarde. O mosquito voa na altura média de 1,5 metro e prefere locais com clima quente e úmido. Cada fêmea coloca em média 40 ovos a cada três dias e é ela a responsável pela transmissão de doenças, pois o mosquito macho não se alimenta de sangue.